Anistia: líder da oposição, Zucco pede agenda para convencer relator
Ao falar ao Metrópoles, Luciano Zucco evitou ataques ao colega, após sinalização de que proposta terá apenas redução de penas aos condenados
atualizado
Compartilhar notícia

O líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), afirmou ao Metrópoles que pedirá uma reunião nos próximos dias com o relator do projeto de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado, Paulinho da Força (SD-SP). O parlamentar bolsonarista adotou uma postura diplomática, visando reverter a sinalização dada pelo colega nesta quinta-feira (18/9): Paulinho deve apresentar um parecer com redução de penas, ao invés do perdão amplo.
A oposição defende uma anistia ampla, geral e irrestrita, que pode livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados de cumprirem pena por tentativa de golpe de Estado. “Todos sabem o que a oposição quer e iremos trabalhar para isso. Sobre o relator, marcarei uma reunião com ele para expor documentos, provas e fatos que alinhem essa necessidade de justiça aos envolvidos”, afirmou Zucco.
A base bolsonarista considera que Bolsonaro foi julgado e condenado “politicamente” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse sentido, apontam a anistia como uma solução também política para a situação do ex-presidente.
Mas a escolha de Paulinho da Foça pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indica indisposição da cúpula da Casa de aumentar a tensão com a Corte.
Paulinho tem uma boa relação com os ministros do STF, incluindo o relator dos inquéritos sobre a tentativa de golpe de Estado, Alexandre de Moraes. Nesta quinta, logo após ser anunciado como responsável para construir o texto, o deputado afirmou à imprensa que não há possibilidade de pautar uma anistia “geral e irrestrita” na Câmara, e que por isso foi escolhido um outro projeto para votação da urgência na quarta-feira (17/9).
“A anistia geral e irrestrita não tinha possibilidade. Por isso, foi pego o projeto do [Marcelo] Crivella, que era mais ou menos um meio termo, não era aquele texto do [líder do PL,] Sóstenes [Cavalcante], e esse foi concordado com eles. E até não tinha concordância do outro lado, tanto é que o PT acabou ficando contra, o pessoal da esquerda acabou ficando contra a proposta que foi votada da anistia”, afirmou Paulinho.
O presidente do Solidariedade completou: “Agora cabe a mim tentar fazer esse meio de campo aí. É o que eu vou fazer, conversar com todo mundo para que no final a gente possa ter um texto que agrade a todos”.
Ele ainda sinalizou que a proposta deve tratar sobre redução de penas, e ainda comentou que não seria o mais correto falar-se em anistia. Tal proposta tem mais apoio na Câmara, e pode contar com o apoio de parte do Centrão e até da base governista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive, já afirmou a aliados ser favorável a reduzir o tempo de cadeia dos manifestantes do 8 de Janeiro, contanto que não haja benefício a Bolsonaro.








