Amiga de juíza morta pelo ex-marido diz que ela foi “vítima de misoginia”

Viviane do Amaral Arronenzi foi assassinada pelo ex-marido, Paulo José Arronenzi, que está preso no Rio de Janeiro

atualizado 27/12/2020 11:44

Vídeo mostra filhas gritando para pai não matar juíza: "Por favor, para!"Redes sociais/ reprodução

Simone Nacif, amiga de Viviane do Amaral Arronenzi, morta pelo ex-marido na véspera de Natal, afirmou que a juíza foi vítima de misoginia. Simone, que também é juíza, disse não ter tomado conhecimento que Viviane havia precisado de escolta. As informações são do jornal O Globo.

“Ela foi vítima de misoginia. O ex-marido deveria se sentir inferior a ela. Ela sempre foi inteligente, independente e dedicada à carreira e às filhas. Ela tinha um sorriso que a definia, além de ser engraçada e sensata. Logo que passou no concurso, comentou que se incomodava com os protocolos da magistratura, pois preferia que a chamassem de você. Mas entendia que eles eram necessários”, conta Simone ao jornal carioca.

A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, também comentou o caso e afirmou que para ela, como mulher, o luto é “muito difícil”. “A notícia foi devastadora porque já tínhamos uma campanha forte no combate à violência contra a mulher. Fomos pegos de surpresa e estamos absolutamente sem chão”, lamenta Gil.

Entenda

Nessa quinta-feira (24/12), Viviane foi morta pelo ex-companheiro na Avenida Rachel de Queiroz, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O crime ocorreu quando a juíza foi deixar as filhas com o pai para a noite de Natal. A mulher morreu no local e ele foi preso em flagrante para, em seguida, ser levado à Divisão de Homicídios (DH).

Viviane chegou a ter, por um tempo, escolta feita por seis homens armados e treinados em artes marciais, que lhe acompanhavam durante todo o dia em dois carros. O objetivo era protegê-la do ex-marido, que já a havia ameaçado e agredido. Eles foram casados entre 2009 e 2020.

A escolta havia sido colocada à disposição de Viviane após um pedido feito por ela. Menos de dois meses depois de solicitar a segurança, ela avisou que não queria mais a proteção, atendendo ao pedido de uma das crianças.

As cenas brutais ocorreram na frente das filhas do casal, gêmeas de 7 anos e a mais velha, de 9. Um vídeo mostra que as crianças imploraram para que o pai parasse com as agressões.

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