Alemanha: brasileiros são repatriados após 30 horas de perrengues

O grupo alega que a empresa aérea Latam não forneceu hospedagem, máscaras ou álcool em gel para os passageiros

atualizado 10/04/2020 18:16

Arquivo Pessoal

Ao menos 80 brasileiros ficaram cerca de 30 horas no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, para tentar voltar ao país durante a pandemia do novo coronavírus. Após ter o voo original cancelado, o grupo conseguiu decolar às 21h de sexta-feira (10/04), no horário local, para Guarulhos, após ajuda do Consulado Brasileiro na cidade alemã.

A farmacêutica e professora universitária Natália Bellan, que viaja com o marido, contou ao Metrópoles que, inicialmente, o voo  1137 da Latam sairia na quinta (09/04). Os passageiros chegaram a entrar na aeronave, mas a equipe alegou ter “problemas técnicos” e todos tiveram que descer do avião.

Segundo Natália, a empresa havia se comprometido a fornecer translado, alimentação e hospedagem aos clientes. Mas, quando voltaram ao saguão, teriam sido avisados de que só poderiam deixar o aeroporto aqueles que tivessem cidadania alemã ou residência no país.

“Foram péssimas horas. O tratamento da Latam foi terrível e do governo alemão também. Não pudemos sequer retirar bagagens, dormimos no aeroporto, pouca alimentação, não tivemos amparo da companhia. Os funcionários tentaram intimidar passageiros que gravavam a situação”, relatou. Um dos passageiros enviou um vídeo do momento em que a empresa faz o anúncio.

Segundo Natália, a aérea não forneceu máscaras, nem álcool em gel. Profissional da área da saúde, ela reclamou da falta de higiene durante a pandemia do novo coronavírus: “Estávamos com higiene precária. Eu e meu marido dividimos medicamentos com pessoas que tinham sintomas [da doença], como febre e gripe. A Latam não ajudou em nada”.

De mãos atadas, os brasileiros conseguiram contato com o Ministério de Relações Exteriores, em Brasília. De acordo com Natália, três colaboradores fizeram plantão durante a madrugada para colocá-los em contato com o Consulado do Brasil na cidade. “Só conseguimos voltar porque tivemos atendimento em tempo hábil do ministério em Brasília”.

O Metrópoles conversou também com Ane Rodrigues, tia da passageira Cristiane Rodrigues, que também estava no aeroporto de Frankfurt junto com Natália e os outros brasileiros. De Brasília, Ane relatou momentos de angústia com o cenário incerto da sobrinha em outro país.

“Foi muito difícil, porque você ter um parente em outro país nessa situação e, simplesmente, passar pelo descaso que passaram lá não é fácil. A Latam tratou a todos com muita desumanidade. Mas deu tudo certo. O Consulado deu todo apoio ao grupo”, comentou.

Em nota, a Latam informou que a aeronave passou por uma “manutenção corretiva” e alegou que a pandemia do coronavírus tem “causado transtornos a todos”. A empresa explicou ainda que “há escassez de serviços disponíveis na localidade”, algo que independe da companhia.

“Neste cenário, a Latam não tem medido esforços para prestar a assistência necessária aos passageiros, mas ressalta que há escassez de serviços disponíveis na localidade, em uma situação totalmente alheia à vontade da companhia”, afirmou.

Leia a íntegra da nota:

A LATAM Airlines Brasil informa que a aeronave que realizaria o voo LA1137 (Frankfurt – São Paulo/Guarulhos) de ontem (9) precisou passar por manutenção corretiva. A companhia já reprogramou o voo, que decolará hoje (10) às 21h.

A crise global e sem precedentes provocada pela pandemia de Coronavírus (COVID-19) tem causado transtornos a todos. Neste cenário, a LATAM não tem medido esforços para prestar a assistência necessária aos passageiros, mas ressalta que há escassez de serviços disponíveis na localidade, em uma situação totalmente alheia à vontade da companhia.

Por fim, a LATAM reitera que a segurança é um valor imprescindível e que, sobretudo, todas as suas decisões visam garantir uma operação segura.

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