No Marrocos, brasileiros pedem ajuda para voltar ao Brasil

Ao menos 12 pessoas enfrentam a quarentena longe de casa e denunciam falta de apoio do consulado brasileiro durante pandemia do coronavírus

atualizado 19/03/2020 15:24

Arquivo Pessoal

Brasileiros que viajavam em férias ao Marrocos não conseguem voltar para o país por causa do fechamento das fronteiras devido à pandemia de coronavírus. Voos foram cancelados, hotéis aderiram à quarentena e não aceitam que hóspedes renovem as reservas.

O grupo, formado de ao menos 12 pessoas, pediu ajuda ao Consulado brasileiro em Marrakech. No entanto, alega que não teve qualquer suporte de infraestrutura ou informação sobre como deveriam agir ou perspectiva de surgimento de novos voos.

A produtora de eventos Raquel Fluminhan Del Rey, 45 anos, contou ao Metrópoles a angústia que tem vivido sem saber como e quando voltará para casa. Ela chegou ao Marrocos no último dia 7 e deveria voltar ao país nessa terça-feira (17/03).

O grupo soube dos cancelamentos de voos desde o dia 14. Em três dias, Raquel comprou três passagens diferentes. Todas foram debitadas do cartão e canceladas pelas companhias. Os valores ainda não foram estornados. Ela decidiu então procurar ajuda do governo federal. À reportagem, criticou a conduta adotada pelo Itamaraty.

“Soubemos do cancelamento dos voos no dia 14. Mas cada um de nós ia para um lugar diferente. Estamos em contato com o consulado. O cônsul diz que temos que comprar uma nova passagem. Mas como comprar passagem se não tem voo sendo vendido?”, questionou.

Limites estourados

Raquel disse que o cônsul brasileiro assegurou que haveria a previsão de um voo ser aberto, que sairia de Casablanca. Quando pesquisou no site, a passagem ainda estava à venda, mas por R$ 11 mil: “Isso é inviável. Não tem condição de fazer mais essa compra. Fomos preparados para passar 10 dias, e não 40. Estamos sem recurso financeiro e sem poder usar cartão porque estourou os limites”.

Segundo a produtora de eventos, o grupo sabia que existia o problema no coronavírus no mundo, mas ninguém imaginou o quão grave se tornaria. “Ninguém em nenhum momento imaginou as medidas preventivas que seriam tomadas pelos países. Estou me sentindo em uma guerra, uma guerra invisível. Que eu não tenho sequer como me proteger. É uma sensação muito ruim”, desabafou.

Raquel contou que respeita o medo da população do Marrocos, mas ressaltou que também teme ser infectada longe de casa. “As pessoas estão usando máscara nas ruas, luvas, álcool em gel. Estabelecimentos fecharam para serem higienizados. Estão com medo, a gente entende e respeita isso. Mas estamos com medo, não temos para onde ir”.

Em nota ao Metrópoles, o Itamaraty informou que, no caso específico de brasileiros no Morrocos, a embaixada do Brasil em Rabat “acompanha a situação dos turistas desde o primeiro momento, em contato com os próprios brasileiros e com as autoridades locais, buscando prestar toda a assistência consular possível no caso concreto”.

O ministério disse ainda que a situação de brasileiros em outros países que também estão com as fronteiras fechadas está sendo acompanhada “de perto” pelos consulados e embaixadas do Brasil. Além disso, recomendou que todos “mantenham a serenidade e observem estritamente as medidas determinadas pelas autoridades locais”.

Leia na íntegra as medidas tomadas pela embaixada do Brasil em Rabat, segundo o Itamaraty:

Desde o sábado (14/03), quando o Marrocos suspendeu voos com o Brasil, e especialmente a partir de domingo (15/03), quando foram suspensos todos os voos tendo o Marrocos como origem ou destino, o setor consular da Embaixada em Rabat vem orientando, noite e dia, nacionais brasileiros retidos no Marrocos.

De domingo a hoje, foram trocados mais de 400 emails com brasileiros afetados pela suspensão dos voos. Apenas ontem e hoje (16 e 17/03), o plantão consular recebeu 70 telefonemas e dezenas de mensagens e chamadas pelo Whatsapp.

Vários alertas pelas páginas Facebook e pelo site da Embaixada no Marrocos foram publicados, de modo a orientar a comunidade brasileira e organizar o recebimento de dados dos nacionais retidos no Marrocos.

Até o momento, a Embaixada do Brasil no Marrocos já identificou e mapeou 173 nacionais de passagem pelo Marrocos que desejam regressar ao Brasil. O contato com esses nacionais é permanente.

Diversas gestões foram e estão sendo feitas junto a diferentes autoridades, inclusive com a ajuda o do Cônsul Honorário do Brasil em Marraquexe. Tais gestões garantiram, por exemplo, o embarque de alguns cidadãos brasileiros para terceiros países.

A Embaixada do Brasil no Marrocos seguirá dedicando todos os esforços possíveis, com o devido sentido de urgência e humanidade, para tentar viabilizar solução para o regresso, para o Brasil, desses brasileiros.

 

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