Agente de saúde de 20 anos é 1º caso de indígena com coronavírus

Este é o primeiro registro da doença em tribos de qualquer etnia no Brasil. Lideranças indígenas estão preocupadas com o avanço da Covid-19

atualizado 02/04/2020 0:39

Uma indígena de 20 anos teve o diagnóstico confirmado de coronavírus no Amazonas, nesta terça-feira (31/03). Ela estava entre os quatro contaminados em Santo Antônio do Içá, que faz fronteira com a Colômbia. É o primeiro caso da doença em tribos de índios no Brasil. 

De etnia Kocama, ela faz parte da aldeia São José. A jovem é agente de saúde indígena no estado e cuidou de um homem contaminado pelo coronavírus. Há uma semana, está em isolamento social para evitar a transmissão local.

Com o teste positivo, familiares e amigos próximos realizaram o exame e ainda aguardam o resultado.

Entre os infectados no município está um médico, que suspeita ter contraído o vírus durante viagens a Santa Catarina e ao Paraná. Outros dois indígenas da região que suspeitavam da doença fizeram o exame, com resultado negativo.

A profissional é uma das pessoas que tiveram contato com o médico que havia sido diagnosticado com a doença após retornar de férias. Desde o dia 25 de março, o médico e todas as pessoas contactadas por ele, incluindo-se 12 pacientes indígenas e 15 integrantes da equipe de saúde estão em isolamento e sendo assistidos pela Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena do DSEI Alto Solimões. Dos 27 testes feitos, apenas a agente de saúde testou positivo para a Covid-19.

As ações de vigilância das Síndromes Gripais e de Síndromes Respiratórias Agudas Graves na região também já foram intensificadas. As pessoas que tiveram contato com a indígena estão sob atenção e os 7 testes aplicados foram enviados ao Laboratório Central em Manaus.

Os cuidados com o coronavírus em relação aos povos indígenas estão sob a responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde e que coordena 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (Dsei) espalhados pelo país. “A Sesai permanece atenta e trabalhando para atender aos mais de 800 mil indígenas aldeados e presentes em todo o Brasil”, informou o órgão, em nota.

No fim da tarde, ao apresentar os últimos números sobre a Covid-19 no país, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a possibilidade de a doença se espalhar entre os povos indígenas é “uma grande preocupação” de todas as autoridades. “A história [demonstra que] os índios sempre tiveram uma resposta muito diferente [dos não índios] e podem ter curvas maiores em relação à morbidade e a letalidade em relação a esta doença. Estamos alertando. Já houve lideranças indígenas chegando [de viagem ao] exterior às quais foi recomendado que não fosse para a aldeia, que cumprisse uma quarentena de 14 dias, e que teimou e foi”, declarou Mandetta.

Correção

A primeira versão deste texto informava, incorretamente, que a jovem havia morrido. Ela está, na verdade, em quarentena, para evitar que o vírus se espalhe na comunidade.

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