Advogado reclama que foi barrado em Turma do STF que julga Bolsonaro
O STF anunciou antes do início do julgamento de Bolsonaro que os advogados de outros núcleos ficariam na Segunda Turma
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A defesa de Marcelo Câmara (foto em destaque), ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por envolvimento na suposta trama golpista, foi barrado de acompanhar o julgamento do núcleo 1 na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (2/9).
A Corte analisa a ação penal 2668, que liga Bolsonaro e outros sete réus à trama golpista que teria trabalhado para anular as eleições de 2022. Em petição enviada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, o advogado Eduardo Kunz reclamou que barrado acompanhar o julgamento na Primeira Turma.
O representante do ex-assessor de Bolsonaro afirmou que Moraes havia decidido anteriormente que os advogados dos réus de outros núcleos da trama golpista poderiam assistir o rito na Primeira Turma.
“Buscando informações acerca do ocorrido — tendo em vista que não foi comunicado e não consta dos autos a reconsideração fundamentada do r. despacho que autorizava a presença deste defensor no Plenário na 1ª Turma — diligenciou-se junto ao Cerimonial que informou que tal orientação teria vindo do Gabinete de Vossa Excelência. Em contato com Vosso Gabinete, a informação foi de que isso seria de responsabilidade do cerimonial”, destacou Kunz.
Acompanhe o julgamento ao vivo no Metrópoles:
O advogado pede a Moraes que seja permitido a liberação para ele acompanhar o resto das sessões na primeira turma, visto que ele saiu de São Paulo para Brasília apenas para assistir o rito. “Com todo o respeito, referida restrição para advogado devidamente constituído em ação penal conexa não merece prosperar, sob pena de frustrar flagrantemente as prerrogativas profissionais e, também, a ampla defesa”, reforçou a defesa de Câmara.
Em nota, o STF explicou que todos os advogados de outros núcleos foram alocados na Segunda Turma, devido a limitação de espaço. “Dentro da primeira turma, todos os advogados do núcleo 1, assessores de gabinetes, parlamentares e imprensa”, disse.
Câmara está preso desde 18 de junho, acusado de tentar obstruir a Justiça ao buscar informações sobre a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid ainda na fase de investigação da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
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Além disso, ele responde como réu na investigação da trama golpista e integra o núcleo 2 da denúncia apresentada pela PGR, por suposto envolvimento em monitoramento de autoridades — entre elas o próprio Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — após as eleições presidenciais de 2022.
