Marcelo Câmara nega monitoramento ilegal de Moraes e se diz “usado” por Cid

O coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro, disse ao STF que agendas de Moraes eram para aproximá-lo de Bolsonaro

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Imagem colorida do coronel do Exército Marcelo Câmara ao deixar sede da Polícia Federal (PF) em Brasília
1 de 1 Imagem colorida do coronel do Exército Marcelo Câmara ao deixar sede da Polícia Federal (PF) em Brasília - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

Em interrogatório realizado, nesta quinta-feira (24/7), o coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), negou ter realizado monitoramento ilegal do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informou, foram usados somente dados públicos e legais que tinham como objetivo “aproximar” o ex-presidente do ministro.

Marcelo Câmara disse ao STF, em ação que responde como réu do núcleo 2 de trama golpista, que o monitoramento realizado por ele dos deslocamentos de Moraes não tinha “objetivos escusos”.

O coronel disse ter “se sentido usado” pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, que pode ter usado as informações com outras finalidades.

“Eu passava dados, ajuste de agenda para uma aproximação com o ministro. Se alguma coisa que passei para o Cid e ele usou para outro fim, a não ser o que eu esperava, eu me sinto até usado nisso aí”, disse Câmara ao STF.

O ex-assessor disse ainda que confiava no trabalho que fazia e que pautava suas atividades de forma lícita.

Presença do advogado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta quarta-feira (23/7), o advogado de Câmara a ir até o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para acompanhar os interrogatórios dos réus do núcleo 2 da suposta trama golpista, que acontecerão na próxima quinta-feira (24/7).

No interrogatório dos réus do núcleo 1, o advogado do general Braga Netto, que também está preso preventivamente, pôde acompanhá-lo durante os esclarecimentos na sala do Estado-Maior do Comando da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro.

Câmara é um dos réus no processo que trata da suposta trama golpista para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O militar foi preso no dia 18 de junho por determinação de Moraes.

O motivo da prisão foi obstrução de Justiça. O militar havia sido preso em janeiro de 2024 e solto em maio do mesmo ano, mas com a obrigação de seguir medidas restritivas.


Réus do núcleo 2

  • Silvinei Vasques – ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na gestão de Bolsonaro;
  • Fernando de Sousa Oliveira – ex-secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do DF;
  • Filipe Garcia Martins Pereira – ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência;
  • Marcelo Costa Câmara – coronel do Exército e ex-assessor de Bolsonaro;
  • Marília Ferreira de Alencar – delegada da Polícia Federal e ex-subsecretária de Seurança Pública do Distrito Federal; e
  • Mário Fernandes – general da reserva do Exército e “kid preto”.

Os réus respondem a ação penal pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

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