Abertura de inquéritos pela PF por apologia ao nazismo dispara em 2020

Dados de janeiro a julho mostram que este ano já teve mais do que o dobro de investigações sobre o assunto do que o ano passado

atualizado 24/08/2020 8:59

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O número de inquéritos policiais abertos pela Polícia Federal para investigar apologia ao nazismo disparou em 2020. Dados da PF mostram uma tendência acentuada de crescimento a partir de 2018 e uma explosão da quantidade de casos neste ano. Apenas de janeiro a julho, 2020 já tem o dobro de casos de todo o ano passado. As informações foram obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) pela newsletter Don’t LAI to me.

Até julho deste ano, foram 80 investigações sobre o assunto. No ano passado inteiro, houve 39 casos.

Os gráficos encaminhados pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) mostram dados desde 2003. Até 2008, não houve mais de dez investigações pelo crime de apologia ao regime representado pelo ex-líder alemão e responsável pela Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler.

Os números se mantém abaixo de uma dezena – com exceção de 2010, com 16 inquéritos – e voltam a crescer em 2018, com 15 caos.

Os documentos também mostram o demonstrativo por estado entre 2003 e 2020. São Paulo ocupa a liderança, com 65 inquéritos abertos, seguido pelo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os estados do Nordeste e Norte são onde a apologia ao nazismo menos aconteceu no período, com apenas uma ou nenhuma investigação aberta.

Racismo e violência

Um dos exemplos recentes ocorreu no dia 19 de agosto, durante uma aula on-line de direito, quando um grupo invadiu a transmissão para fazer apologia ao nazismo e discurso de ódio contra minorias.

Diversos insultos foram proferidos a alunos e à professora, o que teria ocasionado um enorme constrangimento aos presentes na sala de aula.

Os vídeos, que foram transmitidos pelos invasores, mostram cenas do exército alemão nazista, além do próprio ditador, Adolf Hitler.

Discurso de Goebbels

O ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim, citou trechos de discurso do ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para anunciar o Prêmio Nacional das Artes e provocou revolta nas redes e na comunidade judaica brasileira.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”, disse Alvim no vídeo postado no perfil oficial da Secretaria Especial de Cultura.

A citação se assemelha ao que disse o ministro do governo nazista, reproduzido no livro Goebbels: a Biography, escrito por Peter Longerich: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Recentemente, ao comentar a prisão do ex-estrategista de Donald Trump Steve Bannon, o assessor especial da Presidência Felipe Martins recorreu a uma frase que era lema do grupo neonazista Combat18. “Oderint dum metuant”, escreveu Martins, que significa “Que odeiem, desde que temam”. O assessor de Bolsonaro negou que tenha se inspirado no grupo neonazista e disse que a frase seria do escritor romano Cícero.

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