A 15 dias da saída de Doria, Rodrigo Garcia vê debandada no governo

Com perfil menos "marqueteiro" que Doria, Garcia assume om o desafio de se tornar mais conhecido do eleitor paulista até outubro

atualizado 15/03/2022 8:23

Rodrigo GarciaFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – A pouco mais de 15 dias da data em que João Doria (PSDB) deixará o governo de São Paulo para concorrer à Presidência, o Palácio dos Bandeirantes se prepara para a nova gestão. Nas últimas semanas, Rodrigo Garcia (PSDB) tem trabalhado para decidir quais nomes irá indicar em diversas secretarias, cujos atuais titulares sairão para disputar as eleições de outubro.

As mudanças em algumas pastas já estão definidas, enquanto outras ainda são uma incógnita e devem ser resolvidas até o fim deste mês.

Alguns dos secretários que devem deixar o governo até o fim de março são Rossieli Soares, da Educação; Sérgio Sá Leitão, da Cultura; Itamar Borges, da Agricultura; Henrique Meirelles, da Fazenda; Marco Vinholi, do Desenvolvimento Regional; Vinícius Lummertz, do Turismo; Aildo Ferreira, do Esporte; Flávio Amary, da Habitação e Célia Leão, do Direito da Pessoa com Deficiência.

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Estes nomes sairão de seus cargos para disputar as eleições, já que a lei determina que é preciso deixar esses postos seis meses antes do pleito. Em algumas secretarias, os novos nomeados devem ser pessoas que já integram as pastas, especialmente naquelas em que a indicação do cargo foi feita por um partido da base aliada.

É o caso da Agricultura e Abastecimento, na qual o nome mais provável para assumir é Francisco Matturro, atual secretário-executivo. Na Habitação, deve ficar Fernando Marangoni, atual secretário-executivo.

Em secretarias como da Fazenda e da Educação, porém, as decisões ainda não foram tomadas. Na primeira, o vice-governador chegou a conversar com o economista Felipe Salto, que é diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) no Senado. Entretanto, não há nada acertado.

A “debandada” nas secretarias não é surpresa, pois há meses os titulares já ensaiam suas pretensões eleitoreiras. Rossieli Soares, por exemplo, deve disputar uma vaga de deputado estadual. Vinicius Lummertz, por sua vez, quer disputar o governo de Santa Catarina. Meirelles pretende tentar a vaga de senador por Goiás, enquanto Sá Leitão deve concorrer a deputado federal.

Ainda há indefinições na área da Saúde. A princípio, a pasta deve continuar sob o mesmo comando, mas não se sabe se o Comitê Científico, que é composto por oito médicos, cientistas e pesquisadores e que assessora o governo em questões relacionadas à pandemia de Covid, continuará ativo. Membros do colegiado não foram avisados de nenhuma mudança, até o momento, mas não sabem se ainda serão demandados com a mudança de gestão.

“Menos marqueteiro”

Doria deixa o governo em 2 de abril para focar na pré-campanha para o Palácio do Planalto e a partir disso, o governo de São Paulo terá nova cara e novo estilo.

Integrantes do governo avaliam que, além de mudanças no comando das pastas, haverá no modelo de gestão. Menos “marqueteiro” que Doria, Garcia tem um perfil mais discreto e comedido, e em seu governo deve fazer aparições públicas e eventos com menos frequência que o atual mandatário.

Ao mesmo tempo, precisará usar o posto para correr o estado e se tornar mais conhecido dos eleitores, já que hoje seu nome ainda é desconhecido e não chega nem a 5% nas pesquisas de intenção de voto. Há meses, ele percorre o interior para lançar obras do governo, mas só depois que assumir é que é esperado montar uma equipe de campanha mais robusta.

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