Um Flávio Bolsonaro de joelhos na “Santa Ceia” de Malafaia
Um palanque religioso para Flávio Bolsonaro em um Estado… laico.
atualizado
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Silas Malafaia resolveu levar (sem o menor constrangimento) a política para dentro do santuário de forma literal e estética.
No último final de semana, o pastor transformou seu altar em um palanque de luxo para Flávio Bolsonaro – o nosso “Bolsonarinho” – e uma trupe de candidatos da extrema direita. Sob um painel gigante escrito “Santa Ceia”, os políticos foram estimulados a ajoelhar para uma oração especial.
Malafaia até explicou que não se ajoelhavam diante dele, mas diante de Deus. Para isso só resta o uso da palavra “inacreditável”.
O fato, porém, é que chamar aquele evento de Santa Ceia é, no mínimo, uma ousadia teológica que coloca Malafaia no papel de Jesus e os políticos como seus apóstolos.
Ao mesmo tempo, Flávio tenta humanizar sua imagem com vídeos jogando futebol e fazendo gols “de placa” que cheiram a montagem e propaganda barata. É o esforço desesperado para parecer um “cara comum” enquanto se ajoelha diante da influência político-religiosa de Malafaia. A estética do evento busca capturar e consolidar o voto evangélico pelo sentimento, mas acaba expondo um certo oportunismo.
A verdade é que a “Santa Ceia” de Malafaia serve para lembrar que, entre os doze apóstolos, existia um Judas. Em um grupo onde o líder costumava deixar aliados para trás, a pergunta que fica é: quem será traidor? A direita celebra a união no altar, mas o cheiro de queimado vindo dos bastidores é forte.


