Trump e a caneta sem tinta
A Suprema Corte puxou o tapete do tarifaço e deixou Donald Trump exposto como o rei nu da fábula: sem o manto da invencibilidade
atualizado
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Donald Trump sentiu o impacto e reagiu da única forma que conhece: dobrando a aposta no confronto. Ao ver seu ambicioso “tarifaço” ser derrubado pela Justiça nesta sexta-feira (20), o presidente dos Estados Unidos não apenas subiu o tom; ele partiu para o ataque frontal contra a Suprema Corte.
Chamou os magistrados de “desgraça para a nação” e, em um momento de fúria, rotulou seus próprios indicados, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett, como “fracos” e “desleais” por não terem “coragem” de validar seus decretos.
A derrota é pesada. Por 6 votos a 3, a Corte entendeu que Trump atropelou a Constituição ao usar uma lei de 1977 para criar impostos — poder que pertence ao Congresso. Em tom virulento, Trump chegou a sugerir que agora tem poder até para destruir países estrangeiros por outros meios econômicos. É o nacionalismo como cortina de fumaça para esconder o isolamento.
Mas o imperador não se deu por vencido. No sábado, ele já anunciou que vai elevar a nova tarifa global para 15%, tentando usar brechas legais que duram apenas 150 dias. Sem o Legislativo na mão e agora com o Judiciário como barreira, ele vê seu capital político desidratar e tenta governar no grito.
O que assistimos é um filme repetido, inclusive para nós, brasileiros. Encurralado e no precipício, ele volta com fogo total para manter a tropa unida, mas como tudo, ele também tem um prazo de validade.


