Trump ataca o Papa Leão XIV e mergulha no delírio messiânico
O perigo de um governo sem limites: como o isolamento de Trump na Casa Branca o levou a declarar guerra até ao Papa
atualizado
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Donald Trump decidiu que brigar com os mortais não é mais suficiente; agora ele resolveu peitar o Divino. O ataque rasteiro e primitivo ao Papa Leão XIV – chamando o pontífice de “fraco” e acusando-o de defender criminosos – não é apenas uma gafe diplomática. É o sintoma de um líder que, acuado pelo fracasso de suas promessas militares no Irã e pela derrota de seus aliados na Hungria, resolveu incendiar o altar para não ser visto no escuro.
A grosseria de Trump é inédita. Nem Stalin, com todo o seu deboche sobre as “legiões do Papa”, ou Hitler ousaram fazer críticas tão públicas e vulgares à estatura de um Sumo Pontífice. Trump, no entanto, governa no “gogó”.
A resposta do pontífice foi uma aula de elegância e distância. Sem descer ao nível do interlocutor, o Papa americano lembrou que a Igreja não faz política externa por conveniência, mas por obrigação moral de proteger civis. É o choque entre a sabedoria milenar de Roma e o improviso perigoso de Washington.
Mas o ápice do delírio messiânico de Trump veio com o uso de inteligência artificial para se colocar como Jesus Cristo. Questionado, o ex-presidente teve o desplante de dizer que a imagem o retratava como um “médico da Cruz Vermelha”. Para Trump, a verdade é uma mercadoria descartável, desde que o mundo continue falando dele.
O isolamento de Trump é visível. Ele montou um governo de “améns”, onde ninguém o contesta. No primeiro mandato, o sistema ainda tentava domesticá-lo, agora ele é o dono absoluto do palco. Mas, ao atacar o Papa, Trump mexe com um eleitorado que, nos Estados Unidos, ainda leva a religião a sério. Ele pode ganhar as manchetes, mas corre o risco de perder as almas – e os votos.
A verdade é que o mundo lida com um homem que, entre o confessionário e o comício, decidiu que o espelho é a sua única divindade.


