Tchau, 2025: O tabuleiro se mexeu e o jogo só começou

​O ano em que as celas se fecharam, o Congresso se apequenou e o jogo para 2026 começou

atualizado

Compartilhar notícia

ARTES Noblat blá blá – Layout para aspas_20251231_011343_0000
1 de 1 ARTES Noblat blá blá – Layout para aspas_20251231_011343_0000 - Foto: null

Chegamos ao fim de 2025. Se alguém esperava tédio, o Brasil tratou de decepcionar. O ano que termina hoje não foi apenas mais um calendário; foi o ano em que o país redesenhou suas linhas de força e em que o pragmatismo, para o bem ou para o mal, teve oportunidades de atropelar a ideologia.

A conta do 8 de janeiro e a condenação por tentativa de golpe de Estado (sim, é fato)

O desfecho das investigações sobre a trama golpista foi o grande marco civilizatório deste ano. O martelo bateu forte: Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, mas o peso histórico veio da condenação inédita de generais de alta patente.

Pela primeira vez, a farda não serviu de escudo contra o Código Penal. O ponto de virada foi o silenciamento. Ao ver o ex-presidente e a cúpula militar presos e sem acesso a redes sociais e aos apoiadores mais radicais, o país pôde respirar. Sem o ruído constante de quem usava o posto e a farda para inflamar a população, as instituições puderam trabalhar. A condenação limpou o terreno e mostrou que ninguém está acima da lei.

O Congresso sequestrado e a falta de pulso de Motta

No Parlamento, o cenário foi de desalento. O que vimos em 2025 foi a extrema direita sequestrando a Mesa da Câmara, transformando o Legislativo em um balcão de pautas ideológicas radicais.

Hugo Motta provou ser menor do que a cadeira que ocupa. Faltou-lhe o pulso necessário para conter os grupos que tentam ditar à força o ritmo de Brasília. Enquanto o país pedia estabilidade, a Mesa da Câmara serviu de palco para o radicalismo, provando que Motta é refém das mesmas forças que o elegeram. Terminamos o ano com um Legislativo acéfalo, onde a gritaria da extrema direita manda mais que a política. Só não foi pior pelas manifestações dos brasileiros alertas.

Lula deslancha: A política da normalidade

Diferente do que muitos analistas dizem, o governo Lula não deslanchou por causa de números frios da economia, mas porque Lula voltou a fazer política. O presidente entendeu que o melhor antídoto contra o golpismo é o esvaziamento do conflito.

Ao deixar de lado, sempre que pôde, as brigas ideológicas inúteis e focar em uma agenda de estabilidade, Lula conseguiu isolar o piti da oposição radical. Ele ocupou o centro do tabuleiro, desarmou os críticos e provou que a normalidade institucional é o seu maior trunfo. Em 2025, Lula venceu não por uma revolução, mas por fazer o básico: governar sem sobressaltos, com diálogo, deixando a radicalização falando sozinha no deserto.

O STF na mira

A Justiça continuou sob fogo cruzado. A Corte ficou na berlinda por uma razão muito simples: sua firmeza incomodou quem queria um “acordão” de impunidade.

Foi a fase das tentativas mais agressivas de enquadrar o Supremo. Como os ministros não aceitaram as manobras para anistiar golpistas ou frear investigações contra parlamentares, o Congresso respondeu atacando os poderes da Corte. Foi uma retaliação institucional clara contra quem se recusou a ser conivente com o que aconteceu no 8 de janeiro.

Trump, o Tarifaço e o fiasco de Eduardo Bolsonaro

Donald Trump trouxe o “Tarifaço” de 50%, mas trouxe também o colapso da diplomacia paralela da família Bolsonaro. O destaque negativo aqui é o papel de Eduardo Bolsonaro, que tentou vender a ilusão de que sua proximidade com os Trump traria proteção ao pai.

Trump deu um sonoro “tchau, querido” para Bolsonaro e ignorou solenemente os apelos de Eduardo. Para proteger a economia americana, o presidente dos EUA priorizou a relação institucional com quem governa o país: Lula. Eduardo Bolsonaro ficou falando sozinho, enquanto Trump mostrava que prefere o pragmatismo das relações de Estado do que se preocupar com o destino de um ex-presidente condenado e preso.

Lula ganhou a bandeira da soberania. Mereceu.

O herdeiro da vez: Flávio Bolsonaro

Fechamos o ano com o clã Bolsonaro tentando se reorganizar sob nova liderança. Com o pai fora do jogo e isolado, a sucessão foi decidida em família: Flávio Bolsonaro é o herdeiro.

Ele assume o papel de líder da oposição por ser mais articulado e saber transitar em Brasília muito melhor que o pai ou o irmão Eduardo. Flávio termina o ano encarregado de manter o PL unido e a militância acesa, tentando equilibrar o sobrenome pesado com uma postura menos truculenta. É o rosto da “nova” direita que tenta sobreviver à sombra da prisão de Jair e dos generais.

O submisso Tarcísio de Freitas, o nome mais querido da direita órfã, apoiou decisão de Bolsonaro. Para desagrado geral.

Michelle? Essa segue abocanhando espaço de liderança. A ver.

Aqui você vê muito mais:

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?