“Silêncio é ruim para Moraes e para o STF”, adverte Noblat

​Noblat vê silêncio de Moraes como risco ao Supremo.

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Alexandre de Moraes, ministro do STF -- Metrópoles
1 de 1 Alexandre de Moraes, ministro do STF -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A cena política de Brasília foi sacudida por novas camadas de um dilema ético que, segundo o jornalista Ricardo Noblat, é debatido — e ignorado — desde 1982: a relação entre a toga e os interesses privados.

Noblat destaca que o ministro Alexandre de Moraes se encontra em uma posição onde o silêncio não é mais uma opção viável após denúncias de que teria buscado informações junto ao Banco Central sobre o Banco Master, instituição defendida juridicamente por sua esposa.

Noblat é enfático ao questionar a moralidade da ação. Embora Moraes não tenha julgado processos diretos do banco em questão, o jornalista pontua que o uso do prestígio do cargo para colher informações privilegiadas fere a liturgia da função. “É legítimo um ministro buscar informações sobre uma causa onde sua mulher advoga?”, questiona. A resposta, para ele, é um claro não, independentemente de haver uma decisão judicial assinada.

O jornalista traça um paralelo entre o prestígio de Moraes — conquistado pela condução rigorosa dos processos contra atos golpistas — e a fragilidade que a suspeita do atual escândalo traz à sua imagem e à honra do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise ganha um tom irônico quando Noblat compara a postura de Moraes com a do deputado Sóstenes Cavalcante (PL). Para Noblat, embora os casos sejam distintos, ambos revelam uma classe política e jurídica que parece se sentir desobrigada de prestar contas de forma convincente à sociedade.

O ponto central da crítica é a defesa de um Código de Conduta, proposta que ele atribui à insistência do atual presidente do STF, Edson Fachin. O jornalista lista comportamentos que hoje ocorrem sem regramento claro e que precisam ser enfrentados.

Alexandre de Moraes precisa quebrar o silêncio. O jornalista argumenta que, para preservar a instituição e sua própria trajetória, o ministro precisa confirmar ou negar a conversa com Galípolo. No tabuleiro de Brasília, onde o silêncio costuma ser estratégico, Noblat alerta que, neste caso, ele é apenas corrosivo.

 

Atualização 10h02: Em comunicado à imprensa o ministro Alexandre de Moraes afirma que “em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”

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