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Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
ESTÁTUA DA JUSTIÇA EM FRENTE AO STF NA PRAÇA DOS TRÊS PODERES - METRÓPLES
1 de 1 ESTÁTUA DA JUSTIÇA EM FRENTE AO STF NA PRAÇA DOS TRÊS PODERES - METRÓPLES - Foto: <p>Igo Estrela/Metrópoles<br /> @igoestrela</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

O Brasil é cascudo demais para deixar-se abalar nos próximos 10 dias por um julgamento inédito na sua história. Pela primeira vez, um ex-presidente da República é réu por tentativa de golpe de estado e abolição violenta da democracia no país. Também pela primeira vez, e pelos mesmos crimes, serão julgados três generais de quatro estrelas, um tenente-coronel e um almirante.

Na terra onde se plantando tudo dá, o que mais deu foram intervenções militares bem ou malsucedidas. A República foi proclamada por meio de um golpe. Bestificado, o povo assistiu pensando que era mais uma parada militar. O que chamamos de Revolução de 1930 não passou de um golpe, como foi um golpe o que os militares ainda chamam de Revolução de 1964.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aspirante a candidato a presidente, se refere ao golpe de 64 como “movimento”. Diz não confiar na justiça por tudo o que tem visto. Defende Bolsonaro porque prefere ignorar as provas acumuladas contra ele. Mas não só: porque precisa da sua benção e dos seus votos para ter alguma chance de se eleger. Herdará sua rejeição.

Não foi propriamente por falta de apoio militar que fracassaram os golpes de dezembro de 2022 e de 8 de janeiro de 2023. Foi mais por incompetência e trapalhadas dos militares e civis neles envolvidos. Um dia, essa história será mais bem contada, assim como a dos vários ensaios de golpe que ocorreram durante os quatro tumultuados anos do (des) governo de Bolsonaro.

Aparentemente, os 40 anos ininterruptos de democracia celebrados em março último aumentaram a resistência dos brasileiros a regimes autoritários. Fomos capazes de atravessar incólumes à morte de um presidente que não tomou posse (Tancredo), a dois impeachments de presidentes (Collor e Dilma) e à prisão de outro (Lula). Fora escândalos de corrupção.

Neste momento, o Brasil é citado em várias línguas como exemplo de país que soube lidar com o avanço da extrema-direita respeitando sua legislação e não cedendo a pressões externas. Donald Trump mandou parar “imediatamente” o julgamento de Bolsonaro e dos demais golpistas, e ele está prestes a ser concluído. Aplicou sanções a juízes e elas de nada adiantaram.

Estamos fazendo história com “h” maiúsculo. Só temos que nos orgulhar e seguir em frente sem nos deixar enganar.

 

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