Vamos ao que de fato interessa a Donald Trump, e não é Bolsonaro

Trump não descansará enquanto o Brasil não lhe bater continência e continuar insistindo com essa história de que é um país soberano

atualizado

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Reprodução / Casa Branca
Trump
1 de 1 Trump - Foto: Reprodução / Casa Branca

Um condenado governa os Estados Unidos. Em 2024, Donald Trump foi considerado culpado em 34 acusações de falsificação em registros empresariais para encobrir pagamentos à atriz pornô Stormy Daniels. A legislação americana não impede a candidatura de um criminoso a presidente. Se eleito, ele pode governar de dentro da cadeia até que assine um decreto se auto perdoando.

Tal bizarrice inexiste na legislação brasileira. Duas vezes condenado por abuso de poder político, Bolsonaro está inelegível até 2030. Quando setembro chegar, a inelegibilidade aumentará depois que ele for condenado e preso por tentativa de golpe, abolição violenta da democracia, organização criminosa e danos ao patrimônio público e a bens tombados. É só esperar para ver.

O republicano Trump nunca reconheceu sua derrota para o democrata Joe Biden em 2020. Nem mesmo depois que a Justiça a proclamou e Biden foi empossado pelo Congresso. Saiu da Casa Branca direto para a sua. Bolsonaro copiou o gesto de Trump, com a diferença de ter abandonado o país antes de Lula subir a rampa do Palácio do Planalto na condição de presidente eleito.

Ambos, Trump e Bolsonaro, sonharam com o retorno ao poder. Com a diferença que Trump apostou na eleição seguinte, e Bolsonaro no golpe de 8 de janeiro. Uma vez golpista, sempre golpista. O golpe que Bolsonaro tramou em dezembro de 2022 fracassou por falta de apoio militar e civil. O de janeiro também, e pelo mesmo motivo. Trump se reelegeu, Bolsonaro, perdeu, mané.

De novo sob o comando de Trump, a democracia americana caminha celeremente na direção do enfraquecimento. A essa altura, como estaria o Brasil se Bolsonaro tivesse sido reeleito? Foi o que perguntou, ontem, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e ele mesmo ensaiou uma resposta:

“O presidente Lula, e nós que o ajudamos, salvamos o país de um golpe. Se eles, ao perderem a eleição, tentaram dar um golpe, imagina o que teria acontecido se tivessem ganho”.

O Congresso de direita não seria obstáculo ao plano de Bolsonaro de instaurar no Brasil um regime autoritário. Ai de ti, Alexandre de Moraes, se não preso ou morto, seu mandato de ministro teria sido cassado pelo Senado. Os setores financeiro e produtivo do país, e parte do Supremo Tribunal Federal, estariam se acomodando à nova situação, bem como a mídia. O tarifaço seria menor.

Trump não descansará enquanto o Brasil não lhe bater continência e continuar insistindo com essa história de que é um país soberano. Em breve, para ele, Bolsonaro será uma página virada, mas as eleições de 2026 estarão mais próximas. É isso o que de fato interessa a Trump. Apareçam, pois, os dispostos a prestar-lhe vassalagem. Alguns já se apresentaram.

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