Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la
Para não esquecer jamais
atualizado
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Jornalista ama a data redonda e não dá a mínima bola para as demais. A data redonda é mais imponente, chama mais atenção e parece sugerir o começo ou fim de um ciclo histórico.
Os 50 anos do fim da Segunda Guerra Mundial foram celebrados em 1995, marcando meio século desde a rendição alemã (em maio) e do império japonês (em agosto) de 1945.
Haveria graça em celebrar 53 anos desde o fim da Segunda Guerra, ou 57? Fora os fanáticos pelo assunto, e sou um deles, despertaria o interesse de quem? Cinquenta e cinco anos… Talvez, quem sabe?
Em 2004, quando este blog nasceu, a morte do ex-presidente Getúlio Vargas, com um tiro no peito, faria 50 anos em agosto. No dia, eu a contei aqui como se acontecesse em tempo real.
A audiência foi grande. Naquele tempo, quando as redes sociais ainda engatinhavam, as pessoas gostavam de ouvir histórias. Hoje, cada uma em sua bolha, preferem ler opiniões e trocar desaforos.
Repeti a dose em 2005 para narrar as 24 horas mais dramáticas da história do Brasil desde o fim da ditadura: às vésperas da posse, o presidente eleito Tancredo Neves baixou ao hospital.
Hoje, 21 de abril, há 41 anos, morreu Tancredo. Com 75 anos de idade, sua agonia durou 39 dias. O país parou para chorar traumatizado e assistir ao enterro transmitido pela televisão.
O feriado nacional de 21 de abril nada tem a ver com a morte de Tancredo, o injustamente esquecido, nem com a passagem de mais um aniversário, o 66º, de Brasília, criação de JK.
A data homenageia Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira, considerado o Patrono Cívico da Nação Brasileira, executado em 21 de abril de 1792.
A memória coletiva é curta e, por vezes, cruel. Aproveitem o transporte gratuito oferecido pelo governo do Distrito Federal para visitar o local onde repousa o corpo de Juscelino Kubitschek.
Fica ali na Praça do Cruzeiro, a região mais alta do Plano Piloto. É mais uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer.
Um país que desconhece seu passado não projeta seu futuro.
Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la.


