Tudo que parece sólido desmancha no Master

Candidatura de Flávio está na corda bamba

atualizado

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Alice Rabello
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1 de 1 tarcisio-flavio-bolsonaro - Foto: Alice Rabello

Tudo o que é sólido desmancha no ar. Foi o que aconteceu com a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Ela não resistiu a um bilhete curto e mal escrito, assinado por Bolsonaro, proclamando o filho Flávio como seu legítimo sucessor no comando da direita. Restou a Tarcísio conformar-se e atender à ordem vinda do alto — exatamente como se procede nos quartéis.

Estava escrito nos alfarrábios e nas estrelas que seria assim, um negócio de pai para filho. Apenas a imprensa porta-voz da direita engravatada não viu; esta torceu por Tarcísio até o último minuto e, de lá para cá, só faz lamentar. É notável a incapacidade da direita de parir um candidato decente e eleitoralmente viável. O último foi Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que sequer era de direita. O anterior, em 1960, foi Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo que renunciou à Presidência da República em menos de seis meses. Populista e excêntrico, Jânio vivia ébrio e se queixava da solidão de Brasília. Levou consigo a faixa presidencial e pretendia retomar o cargo, desde que fosse com plenos poderes para governar o país como ditador.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro, convenhamos, foi menos ambicioso. Orientou Flávio a disfarçar-se de “o Bolsonaro que todos gostariam de ver”: um dançarino capaz de atrair o voto dos jovens e um político com largo trânsito no Congresso, que não representaria uma ameaça imediata à democracia por carecer de apoio dos militares. Esqueceu, porém, que, dos seus quatro filhos, Flávio sempre foi o que demonstrou maior gosto por dinheiro e por transações obscuras e arriscadas. Carlos meteu-se na política obrigado pelo pai; nunca foi sua praia. Eduardo é movido por ideologia e busca de reconhecimento. Jair Renan ainda não disse a que veio.

Assim, com menos de seis meses de exposição, Flávio atravessou a linha vermelha. Desde 2022, era público o processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para apurar operações fraudulentas no mercado de capitais. O presidente da CVM até julho de 2025 era amigo de infância de Flávio. Em dezembro de 2024, o filho do ex-presidente procurou Vorcaro pedindo fundos para produzir um filme de exaltação ao pai. Para fins de comparação, o orçamento da produção mais cara do cinema brasileiro recente, “Ainda Estou Aqui” — que disputou o Oscar —, foi de R$ 45 milhões. Flávio conta que Vorcaro lhe repassou R$ 60 milhões.

O recebimento do montante não impediu o parlamentar de defender a instalação de uma CPI para investigar o escândalo financeiro do Banco Master, tentando atribuí-lo ao governo Lula. “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, escreveu Flávio a Vorcaro um dia antes da prisão do ex-banqueiro.

Agora, a candidatura de Flávio está na corda bamba. Ele teme o surgimento de novos fatos que possam fragilizá-lo ainda mais, enquanto a Polícia Federal permanece em seus calcanhares. Até o final desta semana, a nova pesquisa Datafolha deverá revelar o tamanho real do estrago.

 

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