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Trump, o candidato ao Prêmio Nobel da Paz que vai à guerra

O Estados Unidos não aprende nada e não esquece nada

atualizado

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Airbus/Soar Atlas
Complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã
1 de 1 Complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã - Foto: Airbus/Soar Atlas

Trump em 2012“Agora que os índices de aprovação de [Barack] Obama estão em queda livre, fiquem de olho nele, pois ele pode lançar um ataque na Líbia ou no Irã. Ele está desesperado.”

Trump em 2013: “Lembrem-se de que eu previ há muito tempo que o presidente Obama atacaria o Irã por causa de sua incapacidade de negociar adequadamente – sua falta de habilidade!”

Trump em 2016“Vamos pôr fim à política imprudente e dispendiosa de mudança de regime. Mudança de regime é um fracasso comprovado e absoluto”

Trump na noite da eleição de 2024“Eu não vou começar guerras. Eu vou acabar com as guerras.”

Na manhã de ontem (sábado, 28 de fevereiro de 2026), os Estados Unidos e Israel foram à guerra para derrubar o regime dos aiatolás no Irã. E Trump pediu aos iranianos:

“Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo. Ele será de vocês.”

Repetiu isso em uma postagem nas redes sociais na tarde do sábado para anunciar a morte do aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo,  “uma das pessoas mais perversas da História”.

O autoproclamado “presidente da Paz”, que ambiciona ganhar o Prêmio Nobel da Paz, tornou-se, por escolha própria, o presidente da guerra, patrocinador de mudanças de regime.

O bombardeio ao Irã foi a oitava vez que Trump ordenou a intervenção militar em seu segundo mandato. A anterior resultou na captura de Nicolás Maduro, mas não na mudança do regime venezuelano. O que lhe interessava era o petróleo.

Dificilmente haverá mudança de regime no Irã. A oposição por lá é fraca e desarticulada. Não há milícias armadas e treinadas para ações de guerra. Sem tropas de ocupação, bombardeios, por mais intensos que sejam, não derrubam regimes.

É procedente a observação de Megan K. Stach, colunista do New York Times:

“Existe uma vaga ideia de que o povo iraniano se opõe ao seu governo e que se unirá para criar outro. Não acho que a história sustente essa expectativa. Nossos líderes parecem não ter aprendido nada com as intervenções dos Estados Unidos no Iraque, Afeganistão e Líbia. Claro, os militares dos EUA podem matar toda a liderança. E depois?”

Em editorial, o New York Times disse hoje:

“A abordagem do Sr. Trump em relação ao Irã é imprudente. Seus objetivos são mal definidos. Ele não conseguiu angariar o apoio internacional e interno para maximizar as chances de um resultado bem-sucedido. Desrespeitou o direito internacional em matéria de guerra.”

Não é o que pensa por aqui o jornal Estado de S. Paulo. Em editorial sob o título “Ninguém vi chorar pelo Irã”, o jornal afirma:

“Sejam lá quais as motivações por trás da guerra, se a derrubada do regime iraniano for o seu resultado, será bom para o mundo inteiro”.

Claramente, quem mais tem a ganhar com essa guerra é Israel. Desde 2015, seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, insiste em dizer que o Irã estava a dias ou a semanas de possuir armas nucleares. Nunca houve provas disso, e não há.

Recentemente, Trump admitiu que caminhava bem a costura de um acordo entre o seu país e o Irã.

Agora, abandonou a diplomacia, mandou o Direito Internacional para a lata do lixo e pegou em armas.

 

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