Toffoli e o drible tardio na suspeição

Ao se declarar impedido de relatar a encrenca da CPI do Banco Master, o ministro tenta estancar uma lama que ele mesmo deixou correr.

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Ministro do Supremo Tribunal Federal STF José Antonio Dias Toffoli Metrópoles
1 de 1 Ministro do Supremo Tribunal Federal STF José Antonio Dias Toffoli Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

Dias Toffoli resolveu dizer “tô fora”. Bom, a esta altura do campeonato, é o mínimo que se esperava.

O ministro se declarou suspeito para relatar o mandado de segurança que tenta obrigar a Câmara a instalar a CPI do Banco Master – que mira a nebulosa relação do banco de Daniel Vorcaro com o BRB.

O gesto, anunciado poucas horas após o sistema de sorteio do Supremo (aquele mecanismo que às vezes parece viciado em repetir sempre os mesmos nomes, ou esses apenas têm “sorte”) tê-lo escolhido, é um alento para a imagem da corte. Mas chega com o amargo sabor do “antes tarde do que nunca”.

A pergunta que ecoa nos corredores de Brasília é simples: por que Toffoli não fez isso antes?

Quando foi sorteado relator do processo principal do caso Master, ele silenciou. Escondeu de todo mundo que tinha sido sócio de empresas ligadas ao grupo de Vorcaro na compra do resort de luxo Taiayá, no Paraná. Preferiu assumir a relatoria e tentar, ao que tudo indica, controlar a temperatura da fervura.

Só “acordou” para a própria suspeição quando o conflito de interesses saltou das sombras para as manchetes, contaminando a imagem do tribunal e colocando os colegas numa saia justa monumental.

Naquela reunião supostamente secreta – gravada e vazada para quem quisesse ouvir – onde o Supremo discutiu o destino de Toffoli, o placar foi pedagógico e vergonhoso. Apenas Edson Fachin e Cármen Lúcia tiveram a coragem de dizer o óbvio: ele deveria cair fora. Os outros sete, fiéis à tal “fé pública” mencionada por Luiz Fux, saíram em defesa intransigente do companheiro de toga.

Toffoli sentiu que a maioria não era unanimidade e abriu mão da relatoria principal, mas a mancha já estava lá.

Agora, sorteado novamente para um puxadinho do mesmo caso, ele percebeu que insistir seria um suicídio institucional.

É preciso separar o CPF do CNPJ, como bem dizia o ministro José Múcio sobre os militares que flertaram com o golpe. Ministros têm CPF e cometem erros; o Supremo, enquanto instituição, tem CNPJ e é um pilar da nossa democracia que não pode ser posto em risco por condutas individuais mal explicadas.

O “Sacro Supremo” não pode conviver com histórias de resorts escondidos e trocas de mensagens com banqueiros que compram apoio a preço de ouro. A suspeição de hoje é um recuo estratégico, um drible para evitar o pior.

Mas o caso Master só terminará quando as relações de Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro forem passadas a limpo.

Até lá, a dúvida continuará girando na mesma roleta que insiste em premiar os mesmos nomes.

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