Tal pai (Jair), tal filho (Flávio Bolsonaro)
A rendição aos interesses americanos une os dois
atualizado
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O amadorismo de Jair Bolsonaro era de dar pena. (Não, não era.) Para além do amadorismo, seu desespero e medo de ser preso caso não se reelegesse inspirava piedade na alma dos seus seguidores.
Em meados de junho de 2022, a menos de 4 meses das eleições que perderia, ele voou a Los Angeles para participar da Cúpula da Democracia, convocada pelo então presidente Joe Biden.
Bolsonaro foi o último chefe de Estado a cumprimentar Biden depois que Biden se elegeu presidente. Bolsonaro preferiu acreditar em Donald Trump, que disse que a eleição fora roubada.
Bolsonaro e Biden tiveram um encontro a sós. Bolsonaro voltou ao Brasil dizendo que o encontro fora “magnífico”. E admitiu ter conversado vagamente com Biden sobre as eleições no Brasil.
Mas não foi isso o que aconteceu. A agência de notícias americana Bloomberg publicou que Bolsonaro pediu ajuda a Biden para derrotar Lula. E acusou Lula de ser um esquerdista radical.
Disse mais: que Lula era uma ameaça para os interesses americanos no Brasil, ao contrário dele, um fiel aliado dos Estados Unidos. Biden não respondeu. Engatou outro assunto.
Por três vezes, em 2021, emissários de Biden visitaram o Brasil e advertiram Bolsonaro e os militares que seu país jamais apoiaria um golpe. Um dos emissários foi o chefe da CIA.
Corte para o dia 28 de março deste ano. Flávio discursa na Conservative Political Action, no Texas, a principal reunião de conservadores nos Estados Unidos. Seu amadorismo dá pena.
Apresenta-se como o “Bolsonaro 2.0” e promete ser um “parceiro confiável” para Trump, já naquele dia ocupado com a guerra contra o Irã. Por isso, Trump faltou ao encontro.
À vontade e sem corar, Flávio diz, entre outras coisas, que “o Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China em relação a minerais críticos, terras-raras”.
É enfático: “O Brasil está se tornando o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será disputado”. E diz que a eleição de outubro só será livre e justa se ele vencer. Pede que a fiscalizem.
Quer exemplo de maior subserviência e de desprezo pelos interesses do Brasil do candidato que se fantasia de moderado? Lembre de como agiu o pai dele na conversa com Biden.
Se não bastar, lembre-se de como agiu Eduardo, seu irmão, que ajudou a convencer Trump a intervir nos assuntos internos do Brasil para impedir a condenação de Bolsonaro via tarifaço.
Flávio não é flor que se cheire. Seu teto é de vidro. O jornal Estado de S. Paulo descobriu que, em 2025, Flávio e a família viajaram pelo menos duas vezes em jatinhos emprestados por empresários.
Uma das viagens foi no dia 1º de maio com destino à Flórida, na companhia de sua mulher e do advogado Willer Tomaz. A segunda foi para o Rio, em um jatinho de Tomaz. Que tal?


