Supremo evita decidir sobre depoimento de Bolsonaro em inquérito
Denúncia sobre a tentativa de o presidente da República intervir na Polícia Federal está parada no Supremo Tribunal Federal
atualizado
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Repousa há mais de 250 dias em uma gaveta do Supremo Tribunal Federal o inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República para apurar a denúncia de que o presidente Jair Bolsonaro, à época em que o ex-juiz Sérgio Moro era ministro da Justiça e da Segurança Pública, tentou intervir na Polícia Federal.
Desde então, a intervenção, denunciada por Moro, consumou-se por variados meses, mas a investigação continua parada. Este é o nó que o tribunal não desata e que emperra tudo: o ex-ministro Celso de Mello decidiu que Bolsonaro deveria depor no inquérito presencialmente, mas ele só quer depor por escrito.
O inquérito foi aberto em abril do ano passado por Augusto Aras, o procurador-geral. Ao fazê-lo, Aras assegurou o direito de dar a última palavra sobre o que fosse concluído, uma maneira segura de indicar que o inquérito será arquivado dê no que der, poupando assim Bolsonaro de eventuais constrangimentos.
Aras deve o cargo que ocupa a Bolsonaro. Seu nome não apareceu na lista tríplice encaminhada pelos procuradores à escolha do presidente. Deveras, Aras ainda alimenta a esperança de ganhar uma vaga de ministro do Supremo, o que poderá acontecer com a aposentadoria em breve do ministro Marco Aurélio Mello.


