Sob o comando dos bárbaros

A celebração da direita

atualizado

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Vinicius Schmidt/Metrópoles
Claudio Castro, governador do Rio
1 de 1 Claudio Castro, governador do Rio - Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

Para muita gente, bandido bom é bandido morto. Para Cláudio Castro, governador bolsonarista do Rio de Janeiro, suspeito bom é também suspeito morto. A lamentar apenas a morte de quatro policiais, as únicas vítimas, segundo ele, da que passará à história como a maior chacina do Brasil no primeiro quarto do século XXI.

Foi um Carandiru a céu aberto, embora escondido pelas matas dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. Em 2 de outubro de 1992, para conter uma rebelião de presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), a Polícia Militar do Estado ali entrou e matou 111 deles, um massacre jamais visto antes.

Na última terça-feira, cerca de 2.500 homens das polícias Militar e Civil do Rio, a pretexto de cumprirem ordens de prisão emitidas pela Justiça contra líderes do Comando Vermelho, poderosa facção do crime organizado, invadiram a Penha e o Alemão e mataram pelo menos 121 pessoas. O principal líder escapou.

Castro considerou “um sucesso” a megaoperação policial. Suspeito era quem trajava determinado tipo de roupa (não se sabe qual), portava armas, e mesmo que não portasse, tentava fugir à chegada dos soldados. Caso se embrenhasse na mata, a periculosidade do suspeito o elevaria à condição de criminoso a ser abatido.

Quem em áreas faveladas do país, culpado ou inocente, branco ou particularmente negro, não corre da polícia à sua chegada ou não procura refúgio? Nem todos os mortos eram bandidos, nem todos os suspeitos eram criminosos. Alguns morreram esfaqueados. Um ou mais de um foi decapitado. Outros sangraram até morrer.

A polícia atraiu-os para a mata onde mais de 50 corpos foram encontrados no dia seguinte ao assassinato em massa. O resgate dos corpos não coube à polícia como deveria, mas aos moradores da comunidade que buscavam parentes desaparecidos. A cena dos crimes, portanto, foi desmanchada. Não haverá culpados.

De todo modo, a perícia dos corpos poderá revelar as dimensões do horror que chocou o mundo.  Ajudaria na tarefa o exame das imagens filmadas pelas câmeras que os policiais carregavam no peito. Mas já se sabe, e o próprio Castro adiantou, que a bateria das câmeras impede seu funcionamento por um longo tempo.

Vida que segue. Infelizmente, mortes que se seguirão enquanto os bárbaros estiverem no comando.

 

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