Se a aprovação de Lula não passar de 50% até junho, sei não…

Uma parada indigesta

atualizado

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Daniel Ferreira/Metrópoles
Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PT em Brasília. – Brasília(DF), 24/04/2017
1 de 1 Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PT em Brasília. – Brasília(DF), 24/04/2017 - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

No início de 2006, quando José Dirceu de Oliveira já não era mais o todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, e sim deputado federal do PT eleito quatro anos antes, conversei com ele em Brasília sobre a conjuntura política do país. Foi uma longa conversa em um restaurante famoso à época, o Piantella.

José Dirceu perdera o cargo de ministro no rastro do escândalo do mensalão do PT – a compra com dinheiro público do voto de deputados para aprovar projetos de interesse do governo. A oposição de então, liderada pelo PSDB, estava convencida de que a reeleição de Lula seria impossível, tal  o tamanho do escândalo.

A imprensa só falava disso. O Supremo Tribunal Federal preparava-se para julgar o processo recém-aberto. O próprio Lula, meses antes, em um sábado de porre, chegara a falar em renunciar ao mandato. José Dirceu interrompeu o seu fim de semana, em São Paulo, para acudir Lula às pressas e demovê-lo da ideia.

Entre goles de um bom vinho, bebido mais por ele do que por mim porque vinho me dá sono e eu precisava estar atento a tudo que ouvia, perguntei-lhe se Lula não corria o risco de ser derrotado na eleição daquele ano. Afinal, o mensalão do PT era apregoado como o maior escândalo de corrupção da história do Brasil.

A resposta de José Dirceu foi longa, mas confesso que não me convenceu. Eu era muito cético, e continuo cético. Desconfio do que me dizem, principalmente os políticos. Em resumo, José Dirceu me disse que corrupção não decide eleição; o que decide é a economia, e ela ia bem, como atestavam os indicadores.

Lula se reelegeu ao derrotar Geraldo Alckmin, três vezes governador de São Paulo e candidato do PSDB. Foi a primeira vez que um candidato a presidente teve mais votos no primeiro turno do que no segundo. Lula terminou seu segundo mandato com 80% de aprovação. Transferiu a faixa presidencial para Dilma Rousseff.

O que isso tem a ver com as eleições deste ano? Tudo, ou nada.

A economia está em bom estado. O governo não é protagonista de escândalos. E Lula, bem mais experiente, é outra vez candidato à reeleição.  Na condição de incumbente, saberá usar o poder que detém. O escândalo do momento é de natureza financeira e teve sua origem no governo anterior. O do INSS também.

Acontece que tudo de ruim é comumente atribuído ao governo, seja ele qual for. Acontece que o terceiro governo de Lula ainda é mal avaliado pelos brasileiros. Acontece que o Caso Master atinge o sistema como um todo, e quem o simboliza é Lula, e não mais Bolsonaro. E nem o Flávio, o filhinho número um do papai.

Não será uma parada fácil para Lula. Talvez venha a ser mais difícil do que foi a de 2022. Ou a avaliação positiva de Lula e do seu governo cresce e ultrapassa a casa dos 50% até meados deste ano, ou sei não.

 

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