Rio de Janeiro, um estado serial killer

A maioria dos cariocas aplaude a matança de suspeitos

atualizado

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Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro.
1 de 1 Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro. - Foto: Tercio Teixeira/Especial Metrópoles

O governador Cláudio Castro (PL) estava certo ao dizer, antes mesmo do fim da caçada humana da última terça-feira (28/10) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, que a “megaoperação” policial, fora um sucesso. Naquele dia, deu-se conta da morte de 64 pessoas. No dia seguinte, a conta fechou em 121.

Das 5 maiores chacinas da história do Rio, quatro carregam as digitais de Castro. Foram realizadas sob o seu comando e com a sua autorização. A mais recente foi também a maior chacina da história recente do Brasil, superando a de 1992 no Carandiru, a Casa de Detenção de São Paulo, em que a polícia matou 111 presos.

Castro aprendeu que o sentimento de medo em um estado campeão de mortes serve para justificar execuções extrajudiciais. Segundo observou a jornalista Dorrit Harazim, a chamada “Operação Contenção” fez  mais mortos do que presos (113) e mais mortos do que feridos (15 policiais e quatro moradores).

Por sinal, fez mais mortos do que os 104 palestinos eliminados por Israel naquele mesmo dia. Sim, Donald Trump diz ter patrocinado um acordo de paz em Gaza. O que existe lá é um cessar-fogo violado dia sim, dia não por Israel. A guerra entre Israel e o grupo Hamas já custou a vida de 170 mil palestinos em dois anos.

Castro invadiu o Alemão e a Penha para, a mando da Justiça, prender 100 criminosos do Comando Vermelho, organização que já domina mais de 50% da área metropolitana do Rio. Dos 100, prendeu 20. Dos mais de 100 que morreram, nenhum estava na lista de pessoas que a polícia de Castro foi lá prender.

Um fracasso? Se levado em conta o objetivo oficial da operação, um fracasso de grandes dimensões. Se levado em conta o oculto, o fortalecimento político de Castro, um sucesso. Aumentou a aprovação popular do governo. Castro passou a ser aplaudido em igrejas. Sua candidatura ao Senado tornou-se possível.

A direita bolsonarista e a outra que se apresenta como civilizada voltaram a sonhar com a derrota de Lula em 2026. Só lhes faltam, porém, duas coisas: um candidato capaz de enfrentar o desafio com chances reais de vencer; e a unidade entre elas. As duas coisas dependerão também do insucesso de Lula daqui para frente.

Quanto ao avanço territorial no Rio do crime organizado: as chacinas anteriores não o detiveram. Não será essa última que o deterá. O Rio continua lindo, mas mantém a condição de capital do medo. Se tiro, pancada e bomba resolvessem, o Rio reconquistaria o título de cidade maravilhosa, orgulho dos seus moradores.

Estamos muito longe disso, infelizmente.

 

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