Por que Alexandre de Moraes nega-se a falar sobre o Caso Master?
Ironias da História
atualizado
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Quem diria que Fernando Collor, o caçador de marajás à época em que governou Alagoas, o primeiro presidente da República eleito pelo voto popular depois do fim da ditadura militar de 64, acabaria deposto por corrupção em meio ao seu mandato, e hoje, por corrupção, cumpre pena domiciliar atado a uma tornozeleira?
Quem diria que Bolsonaro, afastado do Exército por planejar atentados terroristas contra quartéis e gasodutos do Rio, se elegeria presidente com o apoio maciço dos ex-companheiros de farda, empregaria muitos deles no seu governo, para depois ser condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe?
Passará à História como o único presidente que no exercício do cargo disputou a reeleição e perdeu. Como o único que abandonou o país por negar-se a transferir para seu sucessor a faixa presidencial. Como o único que, uma vez inelegível, escolheu um dos seus filhos para o substituir como o legítimo líder da direita.
Quem diria que Alexandre de Moraes, o ministro do Supremo Tribunal Federal que enfrentou Bolsonaro com desassombro, alçado por méritos à condição de herói da maioria dos brasileiros defensores da democracia, se veria meses mais tarde forçado a explicar suas ligações com um banqueiro acusado de crimes?
Moraes resiste a dar explicações. As poucas que deu até agora não foram convincentes e nem bastaram. Sua mulher, advogada, prestou serviços ao Banco Master de Daniel Vorcaro, e ela não estava impedida de fazê-lo. Mas quanto aos encontros que teve com o banqueiro, Moraes prefere guardar um silêncio incômodo.
Se ele não se acha incomodado, todos que o admiram ou aprenderam a respeitá-lo estão profundamente incomodados e se perguntam: por que ele se nega a falar sobre o assunto? Quem não deve não teme. Por que Moraes, no mínimo, não adianta desde já que não julgará o Caso Master se ele chegar ao Supremo?
Talvez Moraes esteja à espera de que se consuma ou não a delação que Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Para só então se defender das suspeitas que mancham sua toga. Enterrá-las de vez se possível for. E se possível não for, declarar-se suspeito, ficando de fora do julgamento.
Não me parece ser a melhor opção. Mas só Moraes e Vorcaro sabem direitinho o que fizeram juntos nos últimos verões.


