Ponha o retrato do velho na parede que ele quer voltar

A política deve ser algo fascinante porque todos que dela se afastam querem voltar

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Faixa presidencial. O objeto tem cores verde e amarela e o brasão do Brasil estampado | Metrópoles
1 de 1 Faixa presidencial. O objeto tem cores verde e amarela e o brasão do Brasil estampado | Metrópoles - Foto: Reprodução/Twitter

Getúlio Vargas, deposto pelos militares depois de governar o Brasil entre 1930 e 1945 como ditador, voltou em 1950 como presidente eleito pelo povo. E quatro anos depois, para não ser outra vez deposto, matou-se com um tiro no coração.

Mal concluiu seu mandato em 1961, Juscelino Kubistchek lançou-se a presidente para suceder Jânio Quadros na eleição seguinte. Jânio foi o único a renunciar ao cargo. Mesmo assim porque queria voltar de imediato, mas dessa vez com mais poderes. Não deu.

Verdade que Fernando Collor renunciou para não ser cassado. Mas quando o fez, acusado de corrupção, o Senado já estava reunido para depô-lo e ignorou sua carta de renúncia. Para governar 8 anos, Fernando Henrique introduziu no Brasil a reeleição.

Lula é um caso à parte. Governou 8 anos e elegeu Dilma,  que só não governou 8 anos porque o Senado a derrubou. E quando Lula, em 2018, estava pronto para disputar mais um mandato, foi preso. Aí entrou Bolsonaro, que tentou dar um golpe para não sair.

A marchinha “Retrato do Velho”, de autoria de Haroldo Lobo e Marino Pinto, saudou a volta de Getúlio, à época com 64 anos. Foi Getúlio que tornou obrigatório afixar o retrato do presidente na parede das repartições públicas. O hit dizia:

“Bota o retrato do velho outra vez

Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar”

Ciro Gomes está com 67 anos. Por quatro vezes, concorreu à Presidência. Em 1998, obteve 10,97% dos votos; 11,97% em 2022; 12,47% em 2018; e 3,04% em 2022. As últimas derrotas, ele atribui a Lula. Prometeu nunca mais se candidatar a presidente. Mas…

Embora ainda não admita, Ciro começa a mexer-se de olho na eleição presidencial do próximo ano. Considera “uma indignidade inexplicável” a substituição de Carlos Lupi pelo correligionário Wolney Queiroz (PDT-PE) no Ministério da Previdência.

Lupi caiu porque não se apressou em mandar apurar a tunga no dinheiro dos aposentados e pensionistas  do INSS, uma roubalheira estimada em 6,3 bilhões de reais. O escândalo abalou o governo. E Lula pressionou-o a pedir demissão.

“Estou muito envergonhado”, diz Ciro. É Lupi que deveria estar. Em 2011, como ministro do Trabalho, Lupi foi demitido por Dilma sob suspeita de corrupção. Wolney desagradou a Ciro em 2022 por não o apoiar e ter sido simpático à candidatura de Lula.

Se depender de Ciro, o PDT e seus 17 deputados federais passarão a se opor a Lula. Dificilmente, isso acontecerá. Dificilmente, o retrato de Ciro enfeitará as paredes das repartições públicas.

 

 

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