Pecuaristas de GO querem doar bois para ajudar Bolsonaro a se reeleger

Vale tudo para o PT não voltar ao poder

atualizado 10/01/2022 9:05

boi, gado, nelore Lucas Ninno/GettyImages

Pecuaristas de Goiás começaram uma campanha, em grupos de WhatsApp, para convencer seus colegas de outros estados a doarem bois pelo bem do Brasil.

No caso, o bem seria a reeleição do presidente Jair Bolsonaro ‒ a melhor maneira, segunda eles, de evitar a volta do PT ao poder. Tem de ser boi que pese 20 arrobas, ou mais.

Como a lei não permite que candidato receba animais em doação, a ideia é que cada pecuarista meta a mão no bolso e ajude Bolsonaro com a quantia equivalente ao preço de um boi de 20 arrobas.

Arroba é uma medida que representa o peso da carcaça do boi. Carcaça significa o peso da carne com os ossos. Geralmente, representa 50% do peso de todo animal.

 No Brasil, a arroba equivale a 15 kg. O preço do boi gordo, em novembro último, fechou em R$ 322,40, valor 25,26% (o equivalente a R$ 65,20 por arroba) maior que o de outubro.

Estima-se que existam 700 mil pecuaristas no país, considerando-se apenas criadores que possuem mais de 20 cabeças de gado. Mas alguns devem ser petistas.

Em abril de 1964, logo depois do golpe militar, o grupo de comunicação Diários Associados lançou a campanha “Ouro para o bem do Brasil”. Aceitavam-se cheques também, e dinheiro vivo.

Era para ajudar o governo do presidente Castelo Branco a pagar a dívida externa do país e baixar a inflação. Quem doasse sua aliança de ouro recebia em troca uma de latão onde estava escrito:

Dei ouro para o bem do Brasil.”

Vi duas dessas, no Recife, na mão de dona Zu, vizinha da casa onde eu morava. Eu tinha 15 anos. Viúva, ela havia doado a sua e a aliança do finado e estava muito orgulhosa.

Não se sabe até hoje onde foi parar o dinheiro arrecadado pelo bem do Brasil.