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Para Arthur Lira, melhor do que dependente é um presidente refém

Centrão espera extrair todas as vantagens possíveis do seu apoio ao governo para, se for o caso, abandoná-lo mais adiante

Ricardo Noblat25/06/2021 08:00, atualizado 25/06/2021 04:32
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Reprodução/Facebook
Jair Bolsonaro e Arthur Lira

Fosse Arthur Lira (PP-AL) um político à altura do cargo de presidente da Câmara dos Deputados, ele já teria aceitado uma das centenas de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro que guarda no armário do seu gabinete.

Mas a cadeira de presidente da Câmara é muito larga para Lira, como foi para a geração recente dos que o ali o antecederam, assim como a de presidente da República é demasiadamente grande para Bolsonaro, mas não foi para Fernando Henrique e Lula.

A Constituição confere ao presidente da Câmara, e unicamente a ele, o poder de aceitar um pedido de impeachment. Mas não lhe cabe decidir se o processo de impeachment será aberto. Isso cabe primeiro a uma comissão, e depois ao plenário.

Mesmo diante dos sucessivos crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro até aqui, Lira recusa-se a aceitar qualquer pedido sob a alegação de que seria prejudicial ao país. Quem disse que seria prejudicial? Somente ele?

Por que não aceita e deixa que o plenário da Câmara decida a respeito? Não foi o que se fez quando Fernando Collor e Dilma Rousseff presidiam a República?  Não foi o plenário que decidiu negar dois pedidos do Supremo para processar Michel Temer?

Quantos outros crimes Bolsonaro precisa ainda cometer para que uma Câmara formada por 513 deputados seja chamada a deliberar coletivamente, e não mais pelo voto de uma só pessoa? Sem falar que é o Senado que cassa mandato de presidente, a Câmara não.

Lira foi eleito presidente da Câmara com o apoio de Bolsonaro. Deve-lhe parte dos votos que teve. É um dos líderes do Centrão, grupo dos partidos mais fisiológicos do Congresso que sustenta governos em troca de vantagens, entre elas as inconfessáveis.

Melhor do que ter um presidente dependente para aprovar projetos, só ter um presidente refém com medo de não conseguir governar até o fim.