O triste, mas merecido fim de Bolsonaro, o falso messias

Se um dia acreditou de fato em Deus, recorra a ele

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ex-presidente Jair Bolsonaro chora durante culto em igreja de Taguatinga. STF alexandre decisão tornozeleira – metropoles 7
1 de 1 Ex-presidente Jair Bolsonaro chora durante culto em igreja de Taguatinga. STF alexandre decisão tornozeleira – metropoles 7 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Conheci de perto um líder africano que no início dos anos 1990 padecia do mesmo mal que acometeu Bolsonaro e seus filhos de 2019 pelo menos até agora: só dar ouvidos à própria voz. Jonas Malheiros Savimbi era o nome dele, o chefe da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, Savimbi tinha tudo para vencer a primeira eleição democrática da história de Angola, afinal realizada em outubro de 1992. Ex-colônia portuguesa, Angola se tornara independente em 1975, mas desde então vivia uma guerra civil.

Três grupos disputavam ali o poder total: a UNITA, apoiada pela África do Sul e alguns países europeus; a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) apoiada pela China e subsidiariamente pelos Estados Unidos; e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), apoiado por russos e cubanos.

Cada grupo controlava uma parte do país. Em Luanda, capital, e em outras províncias, mandava o MPLA que se dizia um partido marxista-leninista. Em províncias do Sul, Huambo a mais importante, mandava a UNITA. A FNLA estava em decadência. Na prática, em 1992, seria esquerda (MPLA) contra a direita (UNITA).

O MPLA venceu – entre tantos motivos, porque seu dirigente supremo, o presidente José Eduardo dos Santos, deu ouvidos a vozes que souberam aconselhá-lo sobre um tipo de eleição que ele nunca disputara. A UNITA perdeu justamente porque Savimbi fez o oposto. Derrotado, retomou a guerra e foi morto anos depois.

Bolsonaro foi um presidente acidental. Dificilmente teria vencido a eleição de 2018 se Lula estivesse solto. A facada dispensou-o de fazer campanha na reta final do primeiro turno. Foi obrigado a disputar o segundo com Fernando Haddad. Enquanto governou, só deu trato aos seus instintos assassinos e aos dos filhos.

O resultado está aí. Jaz numa cela da Polícia Federal sem que ninguém reze à sua porta. Acreditou que Donald Trump o salvaria só por tê-lo bajulado durante tanto tempo. Sequer lembrou de que Trump detesta perdedores. Isolado e inelegível até completar 105 anos, Bolsonaro vê desmoronar seu castelo de cartas.

Mereceu. Recorra a Deus, se um dia de fato acreditou nele.

PS: Dos pequenos anúncios do jornalista Octavio Guedes: “Vendo bandeira norte americana em bom estado, resistente, cores vivas e costuras intactas. Ideal para manifestações. No Pix. Leve grátis um boné seminovo do ‘Make América Great Again’”.

 

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