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O triste fim dos Bolsonaro, obrigados a fugir dos bolsonaristas

Enquanto o pai continuar calado, os filhos não saberão o que dizer

atualizado 01/12/2022 13:17

Eduardo Bolsonaro Reprodução/Twitter

Quem diria… Os Bolsonaro, pai e filhos Zero, agora fogem dos bolsonaristas que os criticam. Logo eles, que imaginavam se eternizar no poder por meio de eleições ou de um golpe.

“Bolsonaro é homem. Pode ter certeza que ele não deixará vocês nas mãos”, disse Valdemar Costa Neto, presidente do PL, a um bolsonarista que tentou sem sucesso abordar Bolsonaro, pai.

Foi na porta do restaurante Dom Francisco, em Brasília, na noite da terça-feira. Bolsonaro entrou sem falar com os devotos ali aglomerados e foi embora uma hora depois.

Entrou mudo, saiu calado. Posou para fotos com deputados e bateu boca exaltado com a deputada Carla Zambelli (PL-SP), conhecida pela alcunha de “A Pistoleira dos Jardins”.

Na véspera das eleições em segundo turno, Zambelli sacou um revólver e correu pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, à caça de um eleitor de Lula. Bolsonaro perdeu votos com isso.

Ontem, foi a vez de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugir de bolsonaristas. Aconteceu no Congresso. Ele estava no gabinete de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado.

Ao tentar sair do local, deu de cara com manifestantes bolsonaristas que, sob o comando de Zambelli, pediam o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

O que fez, então, Flávio? Preferiu sair pela porta dos fundos do gabinete. Não queria ser visto na companhia de Pacheco, acusado pelos bolsonaristas de se compor com Lula.

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, é acusado da mesma coisa, e por isso foi recebido com vaias por bolsonaristas, à chegada ao jantar do PL. A vida do Centrão ficou muito dura.

Mas não pior do que ficou a vida da família Bolsonaro depois que seu patriarca perdeu uma eleição que considerava ganha. Que o diga também o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Só porque viajou ao Catar para entregar alguns pen drives em mãos, e aproveitou para assistir a jogos da Copa, passou a ser hostilizado por bolsonaristas acampados em porta de quartéis.

Sim, ele poderia ter mandado os pen drives pelos Correios. Ou, se fosse caso de urgência, por um serviço de entrega rápida. Mas não. “Dudu Sedex”, como passou a ser chamado, foi levá-los.

Quem, estando a essa altura no Catar para entregar pen drives ou qualquer outra coisa, resistiria à tentação de assistir a partidas da Copa? “Dudu Sedex” não resistiu. Apanhou feio por isso.

Se, ao voltar ao Brasil, seu pai continuar em silêncio, o deputado deve se cuidar para não cruzar por aí com bolsonaristas que se sentem desorientados e órfãos. E com razão.

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