O que Gilmar Mendes disse a Bolsonaro e o que ouviu dele
Os dois conversaram sobre o voto impresso, obsessão do presidente. De pouco adiantou
atualizado
Compartilhar notícia

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, resiste à sugestão que ouviu de colegas para abrir um inquérito que apure a denúncia, repetidas vezes feita por Bolsonaro, de que houve fraude na eleição vencida por ele em 2018.
“Isso seria dar palanque para ele e sua turma”, comentou Barroso outro dia. Bolsonaro diz ter provas de que ganhou no primeiro turno, mas que sua vitória só foi reconhecida depois de ele derrotar Fernando Haddad (PT) no segundo turno.
“Cadê as provas?” – perguntou-lhe o ministro Gilmar Mendes numa conversa há um mês no Palácio da Alvorada. “Estão com os técnicos”, respondeu Bolsonaro. “E por que não as manda para a Justiça Eleitoral examinar?” – insistiu o ministro.
Bolsonaro calou-se. Sorriu quando Gilmar provocou-o: “Se houve fraude, foi para eleger Hélio Negão e Daniel Silveira”. Os dois são deputados federais, eleitos com o apoio de Bolsonaro. Negão não sai da sombra do presidente. Silveira está em prisão domiciliar.
Bolsonaro quer a volta do voto impresso nas eleições de 2022. Barroso argumenta que o voto eletrônico é imune à fraude, mas o voto impresso não. Bolsonaro disse a Gilmar que a eleição de 2014 foi fraudada para que Aécio Neves (PSDB) não derrotasse Dilma.
Gilmar retrucou que se tivesse havido fraude, ele saberia, porque, à época, era o presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Bolsonaro não se convenceu. É uma questão de crença, de fé, e também de esperteza. Caso não se reeleja, dirá que houve fraude.


