O que falta para a prisão de  Cláudio Castro, ex-governador do Rio?

Na volta da self com Trump, Flávio Bolsonaro terá mais um problema para administrar: seu palanque no Rio de Janeiro

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Cláudio Castro
1 de 1 Cláudio Castro - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Pergunta que aguarda uma resposta do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF): o que falta para que o ex-governador Cláudio Castro seja preso por suas estreitas e mais do que suspeitas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o número um do maior escândalo financeiro da história do Brasil?

O tempo passa e a situação de Castro só faz se complicar. Vorcaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, a negociar uma delação premiada na qual não se dispõe a contar tudo o que sabe. Ou contará o que ainda não se sabe, ou acabará condenado a muitos anos de cadeia. Esse é o seu dilema.

Cláudio Castro não tem mais o que fazer para evitar a prisão. Dia sim, no seguinte também, a Polícia Federal descobre novos fatos que só o incriminam. Os revelados ontem: encontros de Cláudio bancados por Vorcaro, com direito a uísque, vinho, champanhe, feijoada e churrasco. Um dos eventos custou R$ 5 milhões, restrito a apenas dez convidados.

Dois jantares de Castro pagos por Vorcaro em Nova York aconteceram no Nusr-Et, churrascaria do chef turco Nusret Gökçe, que ficou mundialmente conhecido como “Salt Bae” pela forma peculiar como despeja sal na carne. O restaurante ganhou fama mundial por servir carnes folheadas a ouro.

Os encontros ocorreram dias antes de o RioPrevidência realizar aportes em papéis do Banco Master. Os investimentos somam R$ 3,7 bilhões e foram realizados driblando as regras do fundo de pensão. Desconfia-se que eles ocorreram com a interferência de Castro, que renunciou ao mandato de governador do Rio com medo de ser cassado e de não poder concorrer a uma vaga de senador em outubro próximo. Mesmo assim, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cláudio tornou-se inelegível, acusado de abuso de poder econômico e político.

O primeiro jantar promovido por Vorcaro para Castro no Nusr-Et de Nova York foi em maio de 2023. O ex-banqueiro não participou, mas monitorou à distância sua realização e pagamento. Custou US$ 13,3 mil (cerca de R$ 66,2 mil). Castro elogiou o jantar e agradeceu o convite a Vorcaro, escrevendo: “Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado”.

O segundo jantar aconteceu um ano depois, em maio de 2024. Desta vez, Vorcaro avisou que o chef Nusret Gökçe estaria lá. O chef ganhou notoriedade no Brasil por ocasião da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Jogadores da Seleção Brasileira jantaram em seu restaurante e pediram o prato mais caro do cardápio: um grande corte de rib-eye folheado a ouro 24 quilates, que custa aproximadamente R$ 3.300.

Os jantares de Cláudio em Nova York ocorreram quando ele cumpria agenda oficial no exterior às custas de dinheiro público. Na viagem de maio de 2024, Vorcaro também convidou o ex-governador para uma degustação de uísque no The Carnegie Club. “Evento pequeno. […] Só homens. Serão 10 pessoas apenas”, descreveu Vorcaro. “Eu vou, sim”, respondeu Castro.

Segundo um orçamento encontrado no e-mail de Vorcaro, o evento custou US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões pela cotação da época). Um dia depois, o RioPrevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em papéis do Master. Vorcaro e Cláudio já haviam se encontrado também no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador, em camarotes no Carnaval e em um hotel no bairro de Santa Teresa.

“A atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, disse em despacho o ministro André Mendonça. A defesa de Cláudio, por enquanto, limita-se a dizer que ele é inocente.

Este será mais um problema para Flávio Bolsonaro resolver tão logo desembarque no Brasil de volta da viagem para tirar uma foto com Donald Trump. Cláudio seria uma das figuras eminentes do seu palanque no Rio. Sem ele, Flávio está, desde já, à procura de outro nome. Perder a eleição no Rio, ou ganhá-la por pouco, será um desastre para Flávio.

 

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