O que dona Lindu ensinou a Lula e o que aprendi com dona Eunice

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, concede entrevista coletiva no Palácio do Planalto - Metrópoles
1 de 1 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, concede entrevista coletiva no Palácio do Planalto - Metrópoles - Foto: <p>Hugo Barreto/Metrópoles<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

Cresci ouvindo dona Eunice dizer que não se deve comprar o que custa caro, trocando-o por algo mais barato. Eunice, minha mãe, nasceu analfabeta, assim como dona Lindu, a mãe de Lula, que o ensinou a não gastar além do que pode para não acumular dívidas.

Não sei se Lula seguiu o conselho de dona Lindu, mas eu segui o de dona Eunice e asseguro que não me dei mal. Quando menino, filé lá em casa só uma vez por semana e para agradar meu pai, Gilvan. Eu e meus cinco irmãos comíamos carne de segunda, moída.

Doce de goiaba em calda? Tinha à venda na mercearia do bairro. Para economizar, dona Eunice comprava goiaba e atravessava noites na cozinha a mexer num panelão para fazer o doce. O cheiro do doce invadia a casa toda. Eu o sinto até hoje. Marcou a minha infância.

Não sou exemplo para nenhum aspirante a empreendedor, pois somente duas vezes na vida tomei dinheiro emprestado em banco, e nas duas vezes saldei a dívida antes do prazo. Todo mês quito meu cartão de crédito para não ter que pagar juros.

É por isso que não vi nada demais na fala de Lula quando ele disse aos brasileiros a propósito da alta no preço de alimentos:

“Se você vai num supermercado […] e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar [o preço], senão vai estragar”.

Lula não culpou os brasileiros pelo aumento dos preços como seus adversários políticos passaram a dizer que ele fez. Nem tentou embromá-los com o anúncio de futuras medidas que poderiam baixar os preços porque sabe que elas simplesmente não existem.

Ai dele se o tivesse feito. O mundo desabaria na sua cabeça. O mercado livre, ou o livre mercado, o chamaria de intervencionista, interessado em pôr a economia a pique – quem sabe? – para promover uma revolução e abrir as portas do país ao comunismo.

Exagero? Talvez um pouco. A direita e a extrema-direita são muito criativas. Pelo poder, vale tudo – de mentir sem pudor algum a clamar por uma intervenção militar que anule eleições que elas perderam. A esquerda mente, mas não aposta em golpe.

Foi-se o tempo em que o governo federal, com a popularidade em alta por conta do congelamento de preços e de salários, tentou capturar boi no pasto para compensar o desaparecimento da carne na prateleira dos supermercados. Usou até helicóptero.  Um fiasco.

Ditam as leis do mercado que a demanda e a oferta é que regulam o preço dos produtos, e que qualquer coisa diferente disso não vai funcionar, não tem como funcionar. Lula custou a aprender a lição ao longo de sua carreira, mas aparentemente aprendeu.

O que ele ainda não aprendeu foi a medir as palavras na era da internet e das redes sociais. Lula é analógico, e se aposentará um dia como analógico. Sequer tem celular. Atende ou faz ligações por meio de celulares emprestados, e nunca são os mesmos.

Não tem Sidônio capaz de controlar o que ele queira dizer. Mas aí também reside a força de Lula. Ele fala a linguagem do povo menos culto que a cada eleição renova seu voto de confiança nele. Não quer dizer que será assim para sempre, mas até aqui foi.

Tem dado para o gasto. Continuará dando? Saberemos daqui a dois anos, porque se a eleição fosse hoje… Ela nunca é hoje.

 

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