O jornalismo serve para afligir os satisfeitos e satisfazer os aflitos
Não é apenas mais um negócio como qualquer outro
atualizado
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Há exatos 22 anos este blog entrou no ar pela primeira vez. Hospedado no IG, provedor de acesso à Internet de banda larga e de acesso discado, era chamado de Blig do Noblat.
À época, blog era uma espécie de diário de adolescentes. Nos Estados Unidos, não mais do que uma dezena de blogueiros profissionais conseguia viver do seu ofício.
O Blog do Noblat ficou hospedado no IG por dois anos. Migrou depois para os sites de O Estado de S. Paulo, O Globo, Veja, e desde 2021 está no Metrópoles.
Foi o primeiro blog de notícias políticas com atualização diária. Nessa condição, é o mais antigo. O Orkut acabara de ser criado como rede social filiada ao Google. Foi desativado 10 anos depois.
O Facebook mal havia sido lançado. Era ainda uma rede do campus da Universidade de Harvard. O Twitter só apareceu dois anos mais tarde. E o Instagram, seis anos mais tarde.
Em julho de 2004, o blog divulgou sua carta de princípios:
1 – Informar – sempre que possível, dar a informação quando ela acontece ou acabou de acontecer;
2 – Fazer pensar – oferecer a informação comentada, analisada, interpretada;
3 – Servir de espaço livre, democrático, para o debate de ideias.
Com o tempo, a competição pela notícia transferiu-se para o Twitter, onde a versão deste blog tinha até o início desta madrugada um milhão, cento e cinquenta e três mil, quinhentos e noventa seguidores.
Agradeço a todos que garantiram a existência deste blog até aqui, principalmente aos leitores.
Atravessamos juntos as eleições de 2004, 2006, 2008, 2010, 2012, 2014, 2016, 2018, 2020, 2022 e 2024. Espero que nada nos impeça de atravessarmos juntos a deste ano.
Republico o que postei aqui no dia 26 de agosto de 2010. É uma maneira de renovar meu compromisso com o jornalismo tal como o entendo.
“Este é um dos mitos cultivados há mais de século: jornalista é imparcial. Ou tem obrigação de ser.
Ninguém é imparcial. Porque você é obrigado a fazer escolhas a todo momento – e, ao fazer toma partido.
Quando destaco mais uma notícia do que outra, faço uma escolha. Tomo partido.
Quando opino a respeito de qualquer coisa, tomo partido.
Cobre-se do jornalista honestidade.
Não posso inventar nada. Não posso mentir. Não posso manipular fatos.
Mas posso errar – como qualquer um pode. E quando erro devo admitir o erro e me desculpar por ele.
Cobre-se do jornalista independência.
Não posso omitir informações ou subvertê-las para servir aos meus interesses ou a interesses alheios.
Se me limito a dar uma notícia, devo ser objetivo. Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões.
Se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.
Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for, jornalista não é.
O jornalismo serve para afligir os satisfeitos e satisfazer os aflitos.”


