O governo Lula e o dilema entre as costureiras e a Magalu
O que é certo nem sempre é justo
atualizado
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O governo Lula está certo em querer fiscalizar com mais rigor as plataformas de e-commerce chinesas que vendem produtos baratos aos brasileiros? Está. A maneira como elas driblam a legislação por aqui se assemelha a algo parecido com contrabando.
De resto, é certo que o comércio varejista nacional gere empregos e pague impostos e o comércio asiático não pague? É o caso das plataformas chinesas Shein e Aliexpress e da Shopee de Cingapura. Então, por que tanto barulho em torno de uma decisão acertada?
A isso pode-se dar o nome de “O dilema entre a Magalu e as costureiras”. O Magazine Luiza ou Magalu é uma empresa do setor do varejo com 1.481 lojas físicas em 819 municípios de 21 estados. Ela emprega cerca de 40 mil pessoas.
As costureiras, mas não somente elas, preferem comprar às plataformas chinesas ao invés de à Magalu porque gastam menos. A classe média baixa brasileira também, e pela mesma razão. Todo tipo de roupa sai por 50 reais, tênis colorido por menos de 100.
Os mais pobres elegeram Lula presidente três vezes. Ele terá peito para adotar medidas que os atinjam diretamente no bolso? Fernando Haddad, ministro da Fazenda, diz conhecer a Amazon onde compra livros. E não fazer a mínima ideia do que é a Shein.
Mas as costureiras sabem o que é a Shein e suas congêneres, os meninos das favelas sabem, e nem toda decisão correta do ponto de vista fiscal e econômico é socialmente justa. Precisa fazer caixa? Faça às custas dos mais ricos que pagam baixos impostos.
Quando pagam.


