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O futuro do governo Bolsonaro está por um áudio

Miranda ainda nega que gravou sua conversa com o presidente. A qualquer momento, a Polícia Federal poderá baixar no Ministério da Saúde

atualizado 28/06/2021 6:16

Reprodução

Em audiência, o caso da conversa entre os irmãos Miranda e o presidente Jair Bolsonaro tem tudo para começar a rivalizar em breve, se já não rivaliza desde agora, com o caso da caçada policial a Lázaro Barbosa. O pano de fundo de um é a corrupção e o poder, do outro, assassinatos em série e uma fuga rocambolesca.

A caçada policial a Lázaro completou 20 dias. A caça aos implicados na compra superfaturada da vacina indiana Coaxin, denunciada pelos irmãos Miranda, mal começou. Se a CPI da Covid-19 queria um pretexto para prorrogar por mais 90 dias seu prazo de validade, o pretexto está dado.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) voltou, ontem, a desafiar o presidente Jair Bolsonaro com quem se reuniu em 20 de março último no Palácio da Alvorada junto com seu irmão, Luis Ricardo, servidor do Ministério da Saúde. E se Bolsonaro desmentisse tudo o que Luis Miranda contou à CPI?

O presidente não é doido de fazer isso. Se fizer, vai tomar um susto. Não pode me chamar de mentiroso, pode falar qualquer coisa, menos que sou mentiroso”, rebateu o deputado. Que ou tem uma memória prodigiosa para relembrar o que Bolsonaro lhe disse, ou então gravou a conversa e por isso está tão seguro.

Ao jornal Folha de S. Paulo, Luis Miranda citou outras frases que diz ter ouvido do presidente:

“Isso deve ser coisa, mais uma desse cara”. Na sequência, pergunta para a gente: “Vocês têm informação se o Ricardo Barros realmente está envolvido nisso?” Aí ele fala, nomeia ele.”

Barros (PP-PR) é o líder do governo na Câmara dos Deputados. Ex-ministro da Saúde, teria participado da operação de compra da Covaxin. Segundo o deputado Luis Miranda, o encontro com Bolsonaro durou 50 minutos, e a certa altura, travou-se o seguinte diálogo entre ele e o presidente:

“Vocês têm informações se o Ricardo Barros estava influenciando ou fazendo?”. Miranda respondeu: “Presidente, a gente não sabe o nome de ninguém, trouxemos informações técnicas”. Então disse Bolsonaro: “Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio. Mais uma desse cara, não aguento mais”.

Barros jura ser inocente. Até aqui, Bolsonaro nada comentou sobre as revelações feitas pelos irmãos Miranda. O deputado Luis Miranda é o senhor absoluto da situação – pauta o noticiário e a CPI. Perguntado se tem mais material capaz de interessar aos senadores, declarou:

“Se for em reunião fechada, meu irmão sabe muita coisa. Acho que se a CPI fizer reunião fechada, pedir dados, informações…

Como recusar uma oferta dessas? De resto, o processo suspeito de compra de outra vacina, a chinesa Convidecia, entrou também no radar da CPI. O Ministério da Saúde assinou com a empresa Belecher Farmacêutica uma carta de intenção para a compra de 60 milhões de doses da Convidecia.

Cada dose custa 17 dólares, o valor mais alto negociado pela compra de uma dose de vacina contra a Covid. O pagamento seria antecipado. Investigada pela Polícia Federal, a Belecher é apoiada pelos empresários bolsonaristas Luciano Hang e Carlos Wizard. Barros tem ligações com ela.

Hang deve milhões de reais em impostos. Quando soube que a CPI o convocaria para depor, Wizard, ex-membro do gabinete paralelo que assessorou Bolsonaro no combate à pandemia, escondeu-se no México. Fez tudo para não vir depor. Por fim, concordou em depor à CPI nesta quinta-feira.

A qualquer momento, a Polícia Federal poderá baixar no prédio do Ministério da Saúde para fazer, ali, uma devassa de grande porte. Em alguns gabinetes do ministério, a ordem é apagar todas as informações comprometedoras. Como se elas não pudessem ser resgatadas.

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