Não tem para ninguém: é Lula contra Flávio Bolsonaro. A não ser…
A não ser que o acaso faça uma surpresa
atualizado
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No ano passado, Carlos Massa, conhecido por Ratinho, apresentador de programa no SBT, disse ser contra a candidatura do seu filho Ratinho Júnior, governador do Paraná, a presidente.
Foi antes que se soubesse que ele, o Ratinho da TV, transferira seu domicílio fiscal para o Paraguai, onde estrangeiros pagam menos impostos. Os muito ricos fazem assim.
Estava marcado para esta semana o anúncio de que Ratinho, o governador, concorreria à Presidência pelo PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, secretário de Tarcísio de Freitas.
Prevaleceu a opinião do pai. Ratinho informou a quem interessar possa que completará seu mandato como governador do Paraná, e que depois assumirá os negócios de sua família.
Teve boas razões para isso. A primeira: o temor de ser derrotado para presidente e de ser sucedido por Sérgio Moro, seu adversário, que lidera com folga as pesquisas para o governo do Paraná.
A segunda razão: por que correr o duplo risco se nem o PSD, como um todo, está disposto a apoiá-lo? Uma parte do PSD apoiará Lula, outra parte Flávio Bolsonaro. Sobraria pouca coisa para Ratinho.
Restaram dois nomes dentro do PSD para substituir Ratinho: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Ao que tudo indica, será Caiado.
Goiás é o 12º maior colégio eleitoral do país. O Rio Grande do Sul, o 5º. Caiado é um político das antigas. Foi um dos 22 candidatos a presidente em 1989. Ficou em nono lugar, com 0,72% dos votos.
A novidade seria Leite, dono de um discurso novo, desafiador, muito mais atraente e centrado do que o discurso de Caiado. Se é para perder, Leite teria mais chances de perder de menos.
Nunca confiei na candidatura de Ratinho. Ontem mesmo, aqui, escrevi que ele seria candidato se não se arrependesse. Nunca confiei que Tarcísio seria, a não ser com a benção de Bolsonaro.
Por fim, nunca acreditei que Bolsonaro abençoaria Tarcísio ou qualquer outro candidato que não fosse sangue do seu sangue. Está aí: o candidato da direita será Flávio. Vão ter de engolir.
Não há espaço asfaltado para outro candidato da direita, como não houve nas eleições anteriores. A batalha final será travada por Lula e Flávio. A não ser que o acaso faça uma surpresa.
Quer saber o que seria uma surpresa? Lula desistir de disputar o quarto mandato e apoiar a candidatura do seu vice, Geraldo Alckmin, a pretexto de promover a conciliação nacional.
Duvido que isso aconteça, mas, em todo caso… A noite em Brasília é cheia de especulações.


