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Não é o Irã que ameaça a paz no mundo. É Trump que ameaça

Contra fatos não há argumentos, só discursos tolos e vazios

atualizado

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Carla Sena/ Arte Metrópoles
Montagem com as imagens de Donald Trump e do líder supremo do Irã, Ali Khamenei -- Metrópoles
1 de 1 Montagem com as imagens de Donald Trump e do líder supremo do Irã, Ali Khamenei -- Metrópoles - Foto: Carla Sena/ Arte Metrópoles

Pau que bate em Chico também bate em Francisco. Está ok?

Não está. Depende de quem maneja o pau. E de quem seja Chico ou Francisco. Se Chico é forte e Francisco não, Francisco é quem apanha. Chico escapa ileso ou com pequenas escoriações.

Aplique-se o ensinamento ao que ocorre desde tempos imemoriais no Oriente Médio. Ou pelo menos desde a criação do Estado de Israel em terras que pertenciam aos palestinos.

A criação de Israel, em maio de 1948, se deu no rastro do Holocausto de 6 milhões de judeus e de outras minorias promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

À época, as maiores potências ocidentais prometeram criar um estado para os palestinos chamarem de seu. A promessa não saiu do papel.  E não há sinais de que sairá um dia.

Israel, hoje, controla de 78% a 97% da Palestina histórica, dependendo se o cálculo inclui a ocupação da Cisjordânia, a administração de Jerusalém Oriental e áreas da Faixa de Gaza.

E funciona como um braço armado dos Estados Unidos. O ex-presidente Joe Biden já disse que Israel é o maior porta-aviões dos Estados Unidos estacionado no Oriente Médio. E assim é.

O pau está comendo nas costas do Francisco da vez – no caso, o Irã, coração do antigo Império Persa, um dos maiores da história. O motivo: o Irã é uma ameaça à segurança do Ocidente.

Em 1953, a CIA e a inteligência britânica (MI6) derrubaram o primeiro-ministro democraticamente eleito do Irã para proteger os interesses petrolíferos ocidentais, e instalaram o Xá.

Mohammad Rezā Shāh Pahlavi, o Xá, governou o Irã de 16 de setembro de 1941 até à sua deposição pela Revolução Iraniana, em de fevereiro de 1979. Comportou-se como um ditador sanguinário.

Seu regime era escandalosamente corrupto e violento. Sua polícia secreta torturava e matava dissidentes com o conhecimento e o apoio financeiro dos Estados Unidos e de outros países.

Já sob o jugo cruel do aiatolá Ruhollah Musavi Khomeini, que sucedeu ao Xá, o Irã foi invadido pelo Iraque do ditador Saddam Hussein. Os Estados Unidos apoiaram a invasão. Mas não só.

Os Estados Unidos fecharam os olhos enquanto Saddam usava armas químicas contra os iranianos. Morreram até um milhão deles. As leis da guerra proíbem o uso de armas químicas.

Tanto que, a pretexto de que Saddam acumulava armas de destruição em massa, os Estados Unidos, em 2003, invadiram o Iraque, capturaram Saddam e o mataram. Não havia armas.

Por décadas, os Estados Unidos esmagaram os iranianos comuns com sanções que destruíram sua economia, enquanto o regime dos aiatolás permanecia intocado. Tudo pelo petróleo. Sempre foi.

Em 2015, a diplomacia deu esperança aos iranianos. O acordo nuclear assinado por eles com os Estados Unidos ia bem. As sanções diminuíram. Até que em 2018, Trump o desmantelou.

E agora bombardeia o país. É o que o povo iraniano vê quando olha para os EUA. “Setenta anos de promessas quebradas, traição e destruição”, segundo a blogueira americana Heather Reese.

A Constituição americana é explícita, como observa Reese. O Artigo I, Seção 8, concede ao Congresso, e somente ao Congresso, o poder de declarar guerra. Trump sequer consultou o Congresso.

A Resolução sobre Poderes de Guerra, de 1973, permite que o presidente mobilize forças militares sem a aprovação do Congresso apenas quando houver uma ameaça iminente ao país.

Trump não apresentou provas sobre ameaça iminente. Porque não as tem. Porque não há nenhuma. Porque o Irã não representa ameaça. Quem tem bombas atômicas é Israel, seu aliado.

Trump é quem ameaça a paz no mundo.

 

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