Mais vale uma Simone na mão do que governadores voando

Faltou um tiquinho para Lula se eleger no primeiro turno

atualizado

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Simone Tebet e Geraldo Alckmin
1 de 1 Simone Tebet e Geraldo Alckmin - Foto: Divulgação

O apoio de Simone Tebet (MDB) a Lula pode valer tanto ou mais do que o apoio agora anunciado de alguns governadores a Bolsonaro. No primeiro turno, Lula conseguiu o apoio ao seu nome de 9 partidos – a maior coligação de todas as eleições que ele disputou desde 1989. Bolsonaro, só 4 partidos.

Para o segundo turno, Lula já conta com o apoio de mais 2 partidos – o PDT de Ciro Gomes e o CIDADANIA que estava com Simone. Bolsonaro atraiu o PSC. Os demais partidos liberaram seus votos, entre eles, MDB, PSDB, PSD e UNIÃO BRASIL. O NOVO, que quase desapareceu, vetou o voto em Lula.

Dos 15 governadores eleitos no primeiro turno, pelo menos oito estarão com Bolsonaro: Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ), Ibaneis Rocha (DF), Ratinho Júnior (PR), Gladson Cameli (AC), Ronaldo Caiado (GO), Mauro Mendes (MT) e Antonio Denarium (RR). Um timaço.

Lula conta com o apoio de seis governadores vitoriosos: Elmano de Freitas (CE), Carlos Brandão (MA), Rafael Fonteles (PI), Fátima Bezerra (RN), Helder Barbalho (PA) e Clécio Luís (AP). O governador reeleito Wanderlei Barbosa (TO) não assumiu posição por enquanto nem para um lado nem para o outro.

Ciro Nogueira (PP-PI), chefe da Casa Civil da presidência da República, alardeia que Bolsonaro conseguiu para o segundo turno palanques onde não tinha: Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais:

“Há pouco, diziam que o presidente estava isolado. Agora, governadores e parlamentares anunciam apoio a sua candidatura. Bolsonaro tem o apoio do povo e está em sintonia com o Congresso e os governadores eleitos. A verdade liberta”.

A verdade liberta quando é verdade. Derrotado no seu Estado, onde não elegeu o governador nem o senador, Nogueira mente. Bolsonaro não teve palanques no Distrito Federal, Paraná, Rio e Minas Gerais porque os governadores, embora bolsonaristas, temeram perder votos se o apoiassem. Não seria de bom tom.

Agora que dizem apoiá-lo, resta saber se suarão a camisa para reelegê-lo usando o peso dos seus cargos. Para Ibaneis (MDB), governador do Distrito Federal, será fácil. É o governo federal que paga suas despesas com Saúde, Educação e Segurança Pública. Os demais pagam suas próprias contas.

Caiado (UNIÃO BRASIL) anunciou que apoiará Bolsonaro, que não o apoiou no primeiro turno. É apoio para boi dormir. No primeiro turno, Bolsonaro foi a Goiás mais de uma vez e fez campanha por outro candidato. Caiado diz que o apoiará porque o agronegócio, muito forte em Goiás, exigiu.

Zema (NOVO), reeleito com votos de bolsonaristas e de petistas, fará o que depois de selar sua aliança com Bolsonaro no segundo turno? Convencerá os petistas que votaram nele e em Lula a mudarem de lado? Castro (PL), bolsonarista reeleito governador do Rio, já avisou:

“Eu pedirei votos para Bolsonaro, mas não me peçam para bater em Lula”.

Simone e Ciro tiveram 7,2% dos votos válidos. Trata-se de um contingente de 8,5 milhões de votos que pode decidir a eleição. Ciro se diz resignado com o apoio do PDT a Lula, mas por enquanto é só. Simone declarou apoio a Lula, bateu em Bolsonaro e disse que estará nas ruas até o dia 30. Nas ruas e na tv.

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