Lula, Trump e a armadilha montada para pegar Flávio Bolsonaro

Ganha eleição quem errar menos

atualizado

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Alice Rabello
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1 de 1 trump-lula-flavio-eduardo-bolsonaro - Foto: Alice Rabello

Se ao político fosse reservado pelo menos alguns minutos de sinceridade por dia, Lula responderia que não. Que nunca passara por sua cabeça arranjar confusão com Donald Trump.

Mas como foi de Trump a iniciativa de arranjar confusão com ele, não lhe caberia fugir da raia. Quando nada porque Lula jamais levou desaforo para casa, e em silêncio. Sua vida é prova disso.

Em 9 de julho do ano passado, Lula estava razoavelmente quietinho em seu lugar, ocupado em lidar com problemas internos, quando Trump enviou-lhe uma carta por meio das redes sociais.

Nela, Trump atacou o Supremo Tribunal, defendeu Bolsonaro e anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Chamou o tratamento dado a Bolsonaro de “caça às bruxas”.

À época, a popularidade de Lula só diminuía. Ele então enrolou-se na bandeira nacional, defendeu a soberania do país, mas o fez de tal modo, e com prudência, que Trump não se sentiu afrontado.

Pelo contrário: acabou rolando uma química entre os dois. Uma “química excelente”, admitiu Trump após um breve contato com Lula na Assembleia-Geral da ONU, em setembro.

Trump suspendeu parte do tarifaço. Os dois, mais tarde, trocaram um longo telefonema. E Lula se ofereceu para visitá-lo na Casa Branca.  A data da visita ainda não foi marcada.

O presidente americano está às voltas com uma guerra no Oriente Médio à qual foi levado pelas mãos de Israel. Uma guerra contra o Irã que ele não tem condições de vencer. Procura uma saída.

Qualquer dia desses, a exemplo do que aconteceu no Vietnã em 1975, os Estados Unidos dirá que venceu a guerra contra o Irã e baterá em retirada. Muitos conflitos terminam assim.

A decisão do governo Trump de expulsar do país o delegado federal Marcelo Ivo de Carvalho sob a acusação de tentar manipular o sistema de imigração americano é um conflito menor.

Seria um conflito insignificante se a popularidade de Lula seguisse em alta, se este não fosse um ano eleitoral, e se os bolsonaristas não usassem o incidente em favor de Flávio, o falso moderado.

Alexandre Ramagem, um dos golpistas do 8 de janeiro, fugiu para os Estados Unidos e acabou preso. Especula-se que Marcelo Ivo teve algo a ver com isso. A prisão de Ramagem só durou dois dias.

Em resposta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, retirou as credenciais de um agente de imigração americano que atua no tema em missão de cooperação no Brasil.

Convenhamos: foi uma resposta moderada. Por ora, não significa que a presença do agente no Brasil é inaceitável. Significa apenas que ele ficará sem acesso às informações da Polícia Federal.

Interessa ao governo brasileiro manter o diálogo com o governo americano e até fortalecê-lo, se for possível. Mas dependerá mais de Trump do que de Lula, é evidente.

No plano local, a Lula particularmente interessa é empurrar Flávio cada vez mais para o colo de Trump. Brasil soberano x Brasil bolsonarista e serviçal dos Estados Unidos.

Está montada a armadilha para Flávio. Tanto ele quanto o pai são reconhecidos especialistas em atirar no próprio pé.

 

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