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Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Houston, temos um problema. Ou melhor: Joe Biden tem dois

O presidente senil contra a vítima de um atentado terrorista. Quem ganha?

15/07/2024 05:30
Anna Moneymaker/Getty Images
O candidato presidencial republicano, ex-presidente Donald Trump, é mostrado coberto por agentes do Serviço Secreto dos EUA após um incidente durante um comício em 13 de julho de 2024 em Butler, Pensilvânia

Em lojas que vendem balas doces ou amargas nos Estados Unidos, vende-se também balas de verdade, das que matam, e armas de todos os tipos e calibres. A morte espreita quem entra e quem sai dali. Pais e filhos compartilham a obsessão de andarem armados, direito que lhes é assegurado pela Constituição.

O rifle que Thomas Matthew Crooks, de 20 anos, usou para alvejar o ex-presidente Donald Trump em um comício na Pensilvânia, estava registrado em nome do seu pai. Crooks atirou na cabeça de Trump e acertou na sua orelha direita. Um agente do Serviço Secreto americano matou Crooks com um tiro de fuzil.

O atirador era uma pessoa retraída que raramente falava sobre política. Tinha poucos amigos e escassa presença nas redes sociais. Não deixou nada por escrito para justificar sua atitude. O Serviço Secreto investiga o caso como se fosse mais um episódio de terrorismo doméstico. A história do país está repleta deles.

Em um dos pronunciamentos oficiais que fez ontem, o presidente Joe Biden disse, enfático, lendo no teleprompter:

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“Devemos permanecer juntos. A violência nunca foi a resposta. Isso não é a América. Não é o que somos”.

Isso é a América. Ou isso é também um dos traços mais característicos do povo americano. Mata-se por qualquer coisa ou sem motivo. E vai-se a guerra em países vizinhos ou distantes desde que os Estados Unidos conquistaram sua independência. Povo guerreiro, intervencionista e outra vez dividido.

Um presidente senil tenta se reeleger. Um ex-presidente derrotado vale-se do discurso de ódio para tentar voltar à Casa Branca. Promete mais armas para quem queira comprar, e redução de impostos para quem as fabrique. Afirma que só reconhecerá o resultado das eleições de novembro se ele o favorecer.

A imagem de Trump após ser alvejado por uma bala, sangue no rosto, olhar desafiador, punho levantado, enquanto o público repetia “USA! USA! USA!”, o eternizou como a vítima. Trump estava fora dos holofotes – só dava Biden desde o primeiro debate presidencial que Biden perdeu. Depois do atentado, só dá Trump.

Biden tinha um problema até sábado: provar que, aos 81 anos, está apto a governar pela segunda vez consecutiva. Agora, tem dois. O segundo: deter o crescimento de Trump na preferência popular. Será inevitável que Trump cresça. E Biden não dá sinais de que baterá em retirada. O Poder é afrodisíaco!

Fato é fato, e só pode ser revogado por um fato novo. O fato novo capaz de injetar entusiasmo nas veias do Partido Democrático seria a nomeação de outro candidato para enfrentar Trump. Bolsonaro foi esfaqueado a um mês das eleições de 2018. Faltam quatro meses para as eleições americanas.  Dá tempo.