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Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Feliz quem pode escolher seu adversário, e Ibaneis escolheu Arruda

Se quiser, Bolsonaro terá dois palanques no Distrito Federal

14/07/2022 06:00
Gustavo Moreno/Metrópoles
Celina Leão, de camisa rosa, Ibaneis Rocha, de terno e gravata rosa, Damares Alves, com camisa preta e detalhes rosa - Metrópoles

Em 2018, o advogado Ibaneis Rocha, que nunca disputara uma eleição, não teve pressa para se lançar candidato ao governo do Distrito Federal. Só o fez no dia 5 de agosto depois de voltar da Rússia, onde assistiu à Copa do Mundo ganha pela França.

Desta vez, o governador Ibaneis Rocha (MDB) teve pressa. Uma semana depois de a justiça liberar o ex-governador José Roberto Arruda para ser candidato, Ibaneis anunciou sua chapa com Celina Leão (PP) de vice e Damares Alves (Republicanos) para o Senado.

O período para que os partidos realizem convenções e indiquem seus candidatos começa no próximo dia 20 e acaba em 5 de agosto. Sob pressão do Republicanos, Ibaneis, ontem, tentou emparedar Arruda, dando-lhe poucas horas para decidir o que fazer.

Se Arruda (PL) quisesse manter a candidatura da sua mulher ao Senado, a deputada Flávia Arruda (PL), e concorrer a uma vaga de deputado federal, estaria tudo certo com Ibaneis, mas desde que ele, Arruda, gravasse um vídeo dizendo que apoiaria Ibaneis.

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Arruda tem-se dedicado “a ouvir a voz rouca das ruas” e pediu mais tempo para decifrar o que ela manda que ele faça. Ao saber que Ibaneis fechara sua chapa com Celina e Damares, comentou, debochado, com um amigo: “Não pensei que ele fosse tão amador”.

Na véspera, Bolsonaro orientou Damares a procurar Arruda para se entender com ele. Damares não procurou porque sabia que Arruda só a apoiaria para uma vaga na Câmara, ao Senado, não. Ibaneis acolheu Damares para tentar atrair o apoio de Bolsonaro.

“Essa é uma chapa que irá apoiar o presidente Bolsonaro”, disse Celina. Candidato algum rejeita apoio. Mas isso não significa que o palanque preferencial de Bolsonaro no Distrito Federal será o de Ibaneis; será o de  Arruda, se ele disputar o governo.

Arruda tinha um problema: não prejudicar as chances de Flávia se eleger senadora na chapa de Ibaneis. Por isso, admitia ser candidato a deputado federal. Ibaneis resolveu o problema por ele: uma vez candidato ao governo, Flávia será candidata à reeleição.

Damares quis ser candidata ao Senado pelo Espírito Santo, mas Bolsonaro preferiu apoiar a candidatura do ex-senador Magno Malta (PL); quis ser candidata ao Senado pelo Amapá, mas o senador David Alcolumbre (União Brasil) barrou-a por lá.

Ela quis ser candidata ao Senado por São Paulo, mas Tarcísio de Freitas (PL), candidato de Bolsonaro ao governo, não quis. De político estranho a São Paulo, onde sequer morou, basta ele, Tarcísio, o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.

No fim da noite, depois de ter disparado dezenas de telefonemas, Arruda observou em conversa com um deputado distrital: “Só faltou Ibaneis anunciar que serei candidato à sucessão dele”. E gargalhou.