Eu vivi para ver juntos Bolsonaro e parte dos comunistas brasileiros

Extremistas da direita e da esquerda unem-se em favor da Rússia e contra a Ucrânia

atualizado

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1 de 1 PCO - Foto: Reprodução

Louve-se o Partido da Causa Operária (PCO), agremiação da extrema esquerda brasileira fundada em 1995, que no fim de 2021 tinha pouco mais de 4 mil filiados, e que usa como símbolos a foice e o martelo. Nunca elegeu ninguém, mas nunca enganou ninguém. Seu jornal “Bandeira Vermelha” é exemplo disso.

Na sua mais recente edição, que começou a circular ontem, acima de uma foto de Vladimir Putin, o jornal estampa a seguinte manchete: “Fora imperialismo – Por que os trabalhadores devem apoiar a Rússia? – Na guerra entre o imperialismo e um país atrasado, os trabalhadores sempre devem apoiar o país atrasado”.

No caso, para o PCO, o país atrasado é a Rússia, embora dona do maior arsenal nuclear do mundo; é a Ucrânia que a ameaça por estar a serviço do imperialismo, um “consórcio da burguesia dos países desenvolvidos, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e etc.”. Quer dizer: o agressor é a Ucrânia, a vítima, a Rússia.

Não é muito diferente do que pensa, mas não diz com todas as letras, Jair Bolsonaro. Às portas da guerra, com a Ucrânia cercada por quase 200 mil soldados, ele visitou Moscou para se solidarizar com a Rússia, segundo disse. Insinuou que sua visita provocara a retirada de tropas russas, algo que não aconteceu, pelo contrário.

De volta, tão logo a guerra começou, criticou a imprensa por falar em um possível “massacre”. E, desde então, repete que o Brasil é “um país neutro” em relação ao conflito, embora na ONU o Brasil já tenha condenado três vezes a invasão russa. “O Brasil não mergulhará numa aventura”, advertiu, acrescentando:

“Hoje temos um problema a 10 mil quilômetros daqui, e a nossa responsabilidade em primeiro lugar é com o bem-estar do nosso povo. […] Respeitamos a liberdade de todos. Queremos a paz. Estamos conectados com o mundo todo, o equilíbrio, a isenção e o respeito a todos se faz valer (sic) pelo chefe do Executivo”.

Sobre o bem-estar do povo, o Itamaraty quis avisar aos brasileiros que moram na Ucrânia que deveriam sair de lá ante a iminência da guerra; Bolsonaro não deixou. O agronegócio nacional, que apoia a reeleição dele, depende em 85% da importação de fertilizantes fabricados por outros países, um quarto pela Rússia.

Nessa sexta-feira, dia 4, o governo russo recomendou aos produtores de fertilizantes que suspendam as exportações do produto devido às sanções econômicas que sofre por invadir a Ucrânia. Bolsonaro sabia que seria assim. Um dia antes, a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, alertara em live:

“[Eu] temo a suspensão desse comércio, porque não temos como pagar esses produtos, nem navios para carregar. Enquanto houver guerra, é totalmente descartada a possibilidade de receber fertilizantes”.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues foi mais direto:

“A oferta de fertilizantes muito caros, somada a uma renda muito menor no campo este ano e ao aumento de custo devido à escassez de matéria-prima, criam um horizonte plúmbeo para o ano que vem, em pastagem, cultura de cana-de-açúcar, café, laranja, tudo”.

Bolsonaro embarcou na aventura russa e deu-se mal. Pela segunda vez na contramão do mundo (a primeira foi quando receitou cloroquina contra a Covid-19 e sabotou a compra de vacinas), está internacionalmente mais isolado do que jamais esteve; e na companhia dos comunistas extremados.

Na Rússia, o Partido Comunista faz oposição a Putin, apesar de no Parlamento votar com ele na maioria das vezes.

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