Espero ver Flávio Bolsonaro derrotado em outubro
Quem sai aos seus costuma copiá-los
atualizado
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Flávio Bolsonaro prometeu apresentar um plano de governo e indicar desde já o condutor da economia caso se eleja presidente. Nunca mais falou disso. Poderia, ao menos, apresentar o plano para retirar Bolsonaro da prisão a tempo de os dois subirem juntos a rampa do Palácio do Planalto no primeiro dia do ano de 2027.
A eventual aprovação pelo Congresso do veto de Lula ao projeto da dosimetria no início de maio próximo não garantirá a presença de Bolsonaro na cerimônia de posse do filho, que agora já se autointitula de “novo capitão”. Uma vez que o veto seja derrubado, a decisão ainda será submetida ao Supremo Tribunal Federal.
Não há prazo para isso. A decisão de reduzir as penas dos condenados por tentativa de golpe beneficiará por tabela muita gente que está presa, inclusive chefões do crime organizado. O Supremo não verá com bons olhos a revogação total ou parcial de uma decisão que foi apoiada pela maioria dos brasileiros.
O plano oculto de Flávio para ter Bolsonaro ao seu lado dependeria de uma assinatura dele que só teria validade depois de empossado pelo Congresso. Não haveria tempo útil para que pai e filho se encontrassem dali a instantes na subida da rampa. Não bastasse, o Supremo teria de deliberar sobre o cabimento da medida.
O que Flávio quer com a ideia é reforçar a mensagem enviada desde já aos seus potenciais eleitores: meu governo será uma cópia do governo do meu pai. Ele será meu principal conselheiro. Eu penso como ele sempre pensou. A diferença é que sou mais jovem do que ele, e talvez um pouco menos radical, mas não tanto.
Flávio nunca deu sinais de ser menos radical do que o pai. Nem seus irmãos. Quando o presidente Donald Trump alocou tropas do seu país nas costas da Venezuela, Flávio sugeriu que ele poderia fazer o mesmo com o Brasil. Flávio saudou a captura por ordem de Trump do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Ao participar de um encontro da extrema-direita no estado do Texas, Flávio disse que compartilhava dos valores e princípios defendidos por Trump. E pediu que eles se preocupassem com a situação do Brasil, presidido por um político radical. E que monitorem as eleições aqui para saber se elas serão limpas.
A exemplo do seu pai, Flávio só considera limpas e justas as eleições ganhas por sua família. Desconhece-se qualquer palavra sua de reparo ao desempenho de Bolsonaro como presidente. Para Flávio, Bolsonaro foi julgado por juízes inimigos dele e aliados de Lula. Foi vítima de um complô, e condenado injustamente.
Tudo isso deveria ser levado em consideração pelos que forem votar daqui a 174 dias. Será? Não sou otimista, mas ainda tenho esperança.


