Entre votar no original (Flávio Bolsonaro) ou no genérico (Caiado)
A direita dita civilizada segue órfã
atualizado
Compartilhar notícia

Lançado candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, deverá renunciar ao cargo hoje, 31 de março, data infeliz da nossa história por lembrar mais um aniversário do golpe militar de 64. É uma exigência da lei.
À época do golpe, Caiado tinha apenas 14 anos de idade. Mas em declarações recentes (2025), ele relativizou o período da ditadura, descrevendo-o como um “processo de reação” à crise institucional criada pelo presidente João Goulart.
Evitou definir o período objetivamente como ditadura, preferindo focar em um contexto de “conflagração” onde, segundo ele, tanto militares quanto grupos da esquerda armada praticaram arbitrariedades e atos bárbaros.
Diz-se um “apaixonado pela democracia”. Afirma que no 8 de janeiro de 2023, mobilizou tropas da PM de Goiás para impedir que ônibus com manifestantes chegassem a Brasília por não concordar com ações contra a ordem institucional.
Questiona, porém, a severidade das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos que vandalizaram a Praça dos Três Poderes, sugerindo que muitos deles foram apenas “massa de manobra”. Culpa Lula por ter sido omisso naquele dia.
Em sua primeira fala como candidato a presidente, Caiado prometeu uma anistia ampla, geral e irrestrita para os golpistas, incluindo entre eles Jair Bolsonaro, mas sem se referir a eles como golpistas. Tudo em nome da “pacificação do país”. Está ok?
Medicamentos genéricos são equivalentes terapêuticos aos medicamentos de referência (originais). Custam pelo menos 35% menos que os de marca, sendo seguros, de qualidade comprovada pela Anvisa e intercambiáveis.
Se aplicado à política o mesmo entendimento, Flávio Bolsonaro é o remédio original da direita para os males do Brasil. Caiado, o genérico. Uma vez que fique claro ao longo dos próximos meses que é assim, por que a direita trocará Flávio por Caiado?
No entanto, se quiser de fato se eleger, Caiado terá de partir para cima de Flávio, na esperança de subtrair-lhe os votos necessários para enfrentar Lula no segundo turno. Tarefa difícil, convenhamos. Que fragmentará ainda mais a direita.
Flávio brinca de candidato moderado, por enquanto. Mas se Caiado o atacar, e ele se sentir ameaçado, será obrigado a elevar o tom da voz, rasgando a fantasia. Nada garante que a direita se unirá no segundo turno. O primeiro costuma deixar sequelas.
A escolha de Caiado foi uma vitória da velha guarda do PSD sob o comando de Gilberto Kassab, que o considera mais combativo do que Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. De resto, o PSD pouco tem a perder com isso. Perde a dita direita civilizada.


