Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Foto de Blog do Noblat
Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Entre estadistas e moleques

Diante dos xingamentos de Flávio Bolsonaro, Lula responde à provocação no mesmo tom e expõe os limites da civilidade nas eleições

20/10/2026 04:00
Renato Pizzutto/Band
Entre estadistas e moleques

Lula tem razão: para quem já debateu ideias com quatro presidentes americanos (George W. Bush, Bill Clinton, Barack Obama e Donald Trump), dois presidentes chineses, dois presidentes russos, três presidentes franceses e com todos os primeiros-ministros alemães, deve ser altamente constrangedor tentar debater os problemas do Brasil com um notório miliciano como Flávio Bolsonaro, investigado pela Polícia Federal por corrupção ativa e passiva, evasiva de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De resto, a levar-se em conta o que se viu no primeiro encontro dos dois, Flávio não queria debater coisa alguma. Primeiro, porque lhe faltam ideias próprias e consistentes para jogar na mesa, a não ser as que seus assessores lhe sopram para exposições rápidas de cima de um palanque e gravações de propaganda eleitoral; segundo, porque ele prefere dançar nos palcos e atacar com xingamentos seus eventuais oponentes. Um debate se alimenta de perguntas e respostas. Flávio ignorou todas as perguntas feitas por Lula.

Os críticos habituais do presidente que disputa seu quarto mandato o acusam de ter aderido ao jogo de Flávio, respondendo aos xingamentos com mais xingamentos. No lugar dele, como teriam procedido? Se você é chamado de ladrão com insistência, responderia dizendo o que pretende fazer para melhorar a Educação e a Saúde? Se lhe imputam mentiras, você aproveita para falar sobre Economia e ajuste fiscal? Diante de um moleque atrevido e que não lhe respeita, você se comporta como um estadista, alheio às provocações?

Convenhamos: há limites para tudo. E Flávio, orientado por um falso marqueteiro (Pablo Marçal) acostumado a atravessar faixas vermelhas riscadas à sua frente, rompeu todos os limites de civilidade.  Nada de parecido aconteceu em debates anteriores entre candidatos à Presidência da República. É bem verdade que nunca alguém tão despreparado como o filho do único ex-presidente do Brasil condenado e preso por tentativa de golpe de Estado chegou à fase final de uma eleição de tamanha importância.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Cabe aos que se dizem democratas impedi-lo de se eleger. Será uma desgraça para o país.

Acesse todas as colunas do Blog do Noblat no Metrópoles