Dias de sono tranquilo para Lula, noites de pesadelo para Flávio

Impulsionado por pesquisas e denúncias contra o rival, o petista recupera fôlego político enquanto a oposição vê aliados buscarem distância

atualizado

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Alice Rabello
Flávio Bolsonaro e Lula
1 de 1 Flávio Bolsonaro e Lula - Foto: Alice Rabello

Dois fins de semana seguidos de boas notícias para Lula era tudo o que ele desejava, mas que parecia distante. A vida de presidente da República não é fácil. Pergunte a José Sarney, que governou o país de 1985 a 1989; a Fernando Collor (1990 a 1992); a Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002); a Lula (2003 a 2010 e desde 2023); a Dilma (2011 a 2016); e a Jair Bolsonaro (2019 a 2022). Itamar Franco e Michel Temer completaram os mandatos de Collor e Dilma, que sofreram impeachment pelo Congresso. De todos eles, Bolsonaro foi o único que não se reelegeu. Deles, Collor e Bolsonaro são os únicos ex-presidentes do Brasil condenados — um por corrupção e o outro por tentativa de golpe de Estado. Lula passou 580 dias preso, mas a Justiça anulou sua condenação.

Na semana passada, Lula dormiu feliz com a descoberta do áudio em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel “Master” Vorcaro de irmão e pede dinheiro para pagar o filme de exaltação a seu pai, em prisão domiciliar. A pesquisa Datafolha, divulgada ontem, garantirá a Lula mais um fim de semana de bom sono, salvo se o acaso lhe trouxer uma má surpresa (toc, toc, toc). Segundo a nova pesquisa, Lula descolou-se de Flávio, que ameaçava ultrapassá-lo. Ou melhor: foi Flávio quem se descolou de Lula. Entre a semana passada e esta que termina hoje, a vantagem de Lula sobre Flávio em simulação de primeiro turno aumentou de três pontos percentuais para nove. Lula cresceu dois pontos; Flávio caiu seis.

Fora Lula, quem mais ganhou com a queda de Flávio? Michelle Bolsonaro, testada contra Lula, não ganhou. Flávio, mesmo em declínio, aparece com mais votos do que ela. Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e que se oferece como alternativa a Lula e a Flávio, também não ganhou. Oscilou um ponto para cima, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. Tampouco ganhou Romeu Zema: ele não saiu do lugar (3%). Para onde foram os pontos perdidos por Flávio? Por ora, sabe-se lá. Talvez tenham subido no muro para observar melhor o panorama. A esperança de Flávio é justamente esta: que, mais tarde, eles desçam para o seu lado.

Na simulação de segundo turno, Flávio e Lula estavam empatados em 45% na semana passada. Agora, Lula aparece com 47% e Flávio com 43%. Lula resgatou a condição de candidato favorito a vencer a próxima eleição. Enquanto, feito Papai Noel, ele distribui presentes para agradar a adultos e crianças, Flávio morre de medo da Polícia Federal e teme mais uma leva de más notícias. Sua campanha entrou em crise. Sua equipe será remontada. Seus aliados querem distância dele. O terreno onde Flávio pisa é movediço.

 

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