CPI da Covid-19 desperdiça tempo ouvindo a “Capitã cloroquina”
Mayra Pinheiro é médica, mas não infectologista. Não tem um único trabalho científico publicado. Defende o tratamento precoce do vírus
atualizado
Compartilhar notícia

Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro chegou hoje para depor na CPI da Covid-19 com o título de “capitã cloroquina”, e dali saiu como tal. Nada de absurdo. Faz por merecer.
O primeiro salto que ela deu em direção à galeria dos famosos foi quando organizou no Ceará, onde nasceu, uma plataforma digital para combater médicos cubanos atraídos para o Brasil à falta de médicos daqui que quisessem trabalhar em cidades do interior.
O salto seguinte foi ingressar na política, filiando-se ao PSDB, e disputar uma vaga de deputada federal. Teve uma votação inexpressiva. Em 2018, pegou carona na eleição de Bolsonaro para presidente e conseguiu 830 mil votos para o Senado.
Mesmo tendo perdido outra vez, chamou a atenção dos bolsonaristas e ganhou o cargo que tem hoje, arranjado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. A defesa do uso da cloroquina contra a Covid-19 encarregou-se do resto.
Foi um equívoco da CPI convocá-la para depor. Embora médica, ela não é infectologista, não tem um único trabalho científico publicado e limita-se a reproduzir o que leu ou o que ouviu falar. Sua palavra pouco vale. Nada acrescentou ao que já se sabe.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), também médico, perguntou a Mayra quais estudos indicam o uso da cloroquina para tratamento do vírus. Ela não soube responder de modo convincente. Então Alencar a ensinou:
“A cloroquina é um antiparasitário. Não existe nenhuma medicação que possa evitar a contaminação pelo vírus. Como inventaram agora que hidroxicloroquina pode evitar que uma pessoa se contamine do coronavírus?”
Mayra respondeu que sabe que a cloroquina, ou qualquer outro medicamento usado no tratamento precoce, “não cura” a Covid, mas serve para evitar internações. Oi! Se não cura, só serve para evitar a superlotação de hospitais. E quem acredita que cura?
A secretária reconheceu que, quando esteve em Manaus, no início de janeiro último, orientou médicos para que a cloroquina fosse usada, só não especificou em que fase do tratamento. Por falta de oxigênio, dezenas de pessoas morreram sufocadas.
Que venha o próximo depoente. Mayra foi pura perda de tempo até este momento.


