Ciro Nogueira cumprirá até o fim seu dever de advogado do Centrão

Presidente da República não pode tudo, mas quem pensa em tutelá-lo acaba se dando mal

atualizado 02/08/2021 9:30

Geraldo Magela/Agência Senado

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar que não haverá eleições ano que vem sem voto impresso. Em dois minutos, resumiu em vídeo para seus seguidores que saíram, ontem, às ruas, o que havia dito na “long live” da última quinta-feira no Facebook.

É possível que sua fala tenha aborrecido os principais líderes do Centrão que, em troca de cargos e de outros favores confessáveis ou não, se prontificaram a ajudá-lo a governar até o fim do mandato. Pode ter aborrecido, mas e daí? Quem tutela presidente?

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) aceitou o convite para chefiar a Casa Civil da presidência com a pretensão de ser visto como o novo Messias, capaz de pôr freios no espírito atormentado de Bolsonaro, e de restabelecer relações harmoniosas com os demais poderes.

Mas Messias já tem um, e ele não parece disposto a abrir mão do que imagina ir muito além de um simples sobrenome. Bolsonaro só dá ouvido ao que quer. Conforme-se, pois, Nogueira com sua missão original e não ouse ultrapassar certos limites.

Com ou sem o Rolex de mais de 80 mil reais no pulso, caberá a ele, presidente do maior partido do Centrão, advogar a favor dos interesses dos seus comandados que cobram mais facilidades, em espécie ou não, para se eleger ou reeleger. Em resumo é isso.

Bolsonaro não tem por que impedir que Nogueira cumpra seu papel, mas também não tem por que deixar que se torne uma espécie de primeiro-ministro. A última palavra é dele e sempre será. Deram-se mal até aqui os que se arriscaram a confrontá-lo.

Nogueira tem data marcada para dar por finda a tarefa que mal começou – quando julgar que já fez por seu pessoal tudo que poderia ter feito. O desembarque acontecerá quando começarem em 2022 as restrições de gastos impostas pela legislação eleitoral.

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